Publicado em 02 de abril, 2018 as 08h27.

Descubra agora: moto pode ou não andar no corredor?

Por Mariana Czerwonka.

Moto no corredor
Os condutores de automóveis também devem redobrar a atenção em conversões e mudanças de faixa. Foto: Arquivo Tecnodata.

Essa é uma dúvida muito comum e alvo de muita polêmica. Afinal de contas, as motos podem trafegar pelos corredores? Essa situação seria a explicação para o alto número de acidentes envolvendo esse tipo de veículo? Conversamos com Julyver Modesto de Araújo, mestre em Direito do Estado e comentarista do CTB Digital, para nos ajudar com essas e outras questões importantes sobre o tema.

Para o especialista, o fato do artigo 56 do Projeto de Lei que deu origem ao Código de Trânsito Brasileiro ter sido vetado pelo Presidente da República à época, justifica a permissão do tráfego nos corredores.

”Como ele PROIBIRIA a condução de motocicletas nos corredores formados entre veículos, a falta de proibição equivale à permissão deste tipo de comportamento (o que é reforçado, inclusive, pelas razões de veto, em que se citou a agilidade da motocicleta como um de seus principais “benefícios”)”, explica Araújo.

Julyver acredita também que não é ONDE se conduz a moto o problema, mas COMO se conduz. “Existem diversos fatores que levam ao alto número de ocorrências de trânsito envolvendo motociclistas, principalmente pelo equilíbrio dinâmico, que exige que este veículo permaneça em movimento para se manter equilibrado. O problema é, principalmente, como se interagem os diversos atores do trânsito. Na minha opinião, mudanças repentinas de faixa, falta de sinalização de sua intenção, altas velocidades e falta de distância de segurança são fatores muito mais preponderantes do que a “utilização do corredor”, o que envolve também a condução de automóveis na via pública”, argumenta.

Proibição do tráfego no corredor

Muitos defendem a proibição do tráfego de motocicletas no corredor entre veículos, inclusive há projetos de lei que tratam do assunto. Questionado sobre o fato, o especialista foi claro.

“Meu posicionamento é que a proibição traria mais efeitos negativos do que positivos, pois, ao exigir que a motocicleta seja conduzida atrás de um automóvel, reduz-se a capacidade de visão do motociclista, frente aos obstáculos da via (buracos, dejetos, manchas de óleo etc), impedindo a tomada de decisões frente às condições adversas e repentinas. Penso que o ideal seria reconhecer este uso da motocicleta e, justamente, facilitar o seu deslocamento, aumentando os espaços entre as faixas de rolamento, ao menos entre as que se encontram mais à esquerda da via; além disso, fiscalizar com rigor as infrações que acarretam a queda de motociclistas”, conclui.

Dicas de segurança

O Portal do Trânsito separou algumas dicas para os motociclistas trafegarem com mais segurança nos corredores. A primeira delas é que o motociclista sempre deve ter em mente que circular no corredor envolve riscos e, portanto, toda atenção nunca é demais. Geralmente, os mais temerosos – e cuidadosos – têm menos chances de se envolver em acidentes.

Como foi mencionado anteriormente, não é proibido pela legislação trafegar nos corredores, mas é perigoso. O mais seguro é trafegar quando os veículos estiverem parados. Quando o trânsito estiver fluindo, o motociclista deve respeitar os limites de velocidade da via e ocupar o espaço de um carro. Outra dica é sempre sinalizar com antecedência as manobras que pretende realizar.

Mesmo durante o dia, é obrigatório trafegar com o farol aceso da moto. A desobediência a essa regra é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47. O uso do farol facilita que o motociclista veja e seja visto pelos demais condutores e até por pedestres.

Os pontos cegos são as áreas onde a visão do motorista é bloqueada pelas colunas do carro, como nas laterais ou mesmo na parte traseira. Mesmo com o farol da moto aceso, o motociclista pode estar escondido neles. A dica de especialistas é tentar contato visual com o motorista através do espelho retrovisor do carro, se o motociclista consegue ver o os olhos do motorista, a moto está visível.

A velocidade máxima permitida na via nem sempre é uma velocidade segura. O bom senso manda que a velocidade do veículo seja compatível com todos os elementos do trânsito. Mesmo com o trânsito parado, as motos não devem trafegar pelos corredores em alta velocidade, pois elementos surpresas podem aparecer e causar acidentes. A velocidade inadequada reduz o tempo disponível para uma reação eficiente em caso de perigo.

Isso inclui manter distância de outras motocicletas também, pois é cada vez mais comum as colisões que envolvem apenas esse tipo de veículo. Ao entrar no corredor, é necessário manter distância lateral, frontal e traseira das outras motos.

Motoristas de caminhões e ônibus, devido ao tamanho do veículo, têm maior dificuldade em realizar manobras e muitas vezes ficam com a visibilidade comprometida.  Ao passar ao lado desses veículos o motociclista deve considerar que pode não estar sendo visto pelo motorista. Jamais ultrapasse pela direita junto à calçada, pois um pedestre pode descer ou você pode ser fechado.

Muitos pedestres atravessam no meio da via e olham apenas que os carros estão parados, esquecendo-se das motocicletas. Isso vale para ambulantes também que tentam vender suas mercadorias por entre veículos. Os motociclistas devem ter atenção especial nesses casos, reduzindo a velocidade e respeitando a sinalização.

Dicas para os condutores de automóveis

Os principais cuidados para evitar acidentes com motocicletas são: redobrar a atenção em conversões e mudanças de faixas, pois os motociclistas costumam transitar nos “pontos cegos”, além de conferir constantemente o que se passa atrás e dos lados do veículo através dos retrovisores. Outro fator importante é que mesmo a frenagem da moto sendo igual à de um carro, em condições de chuva ou de sujeira na pista ela pode escorregar.

Os condutores de automóveis também devem ter cuidado ao abrir as portas do veículo quando estiverem estacionados ou parados em congestionamentos e cruzamentos.

8 respostas para “Descubra agora: moto pode ou não andar no corredor?”

  1. Como doutor.em ética e pesquisador em ética do transito, gostaria de elogiar a iniciativa pela postagem. A primeira parte, referente aos argumentos de Julyver é bastante pertinente, embiara haja muito mais a ser dito. A parte seguinte mereceria críticas, pois reforça o estereótipo que leva muitos motociclistas a se exporem ao risco.

  2. Davide disse:

    Eu sou um motorista e motociclista europeu e fico espantado quando vejo como os motociclististas brasileiros dirigem. Sempre só no corredor, com maior velocidade que os carros (e excedendo muito os limites de velocidade), alegando passar em qualquer caso, mesmo quando não tem a mínima condição de segurança. E não passa um dia sem ver pelo menos um acidente envolvendo uma motocicleta. Quando eu ando de moto em Europa, sempre fico na faixa. No corredor só quando o tráfego está parado e neste caso com velocidade mínima. Quando eu ando de carro em Europa não preciso cuidar de balas perdidas (literal e figurativamente). E nunca vi tantos motociclistas no chão. Então, acho que a defesa desta prática ( ou falta de regulação, como sugere o texto) não seja suportada pelo fatos.

  3. Edir A. Silveira disse:

    Sou motociclista a 44 anos e sou da opinião que as regras de transito deve ser cumprida de maneira que pilotar em corredores feito por veiculos de 4 ou mais rodas gera uma enorme possibilidade de acidentes tanto para o piloto da moto como outros inclusive a pedestres portanto deveria ser proibido este tipo de atitudo se cado o indivíduo for flagrado cometendo esta atitude deveria ser responsabilizado por qualquer acidente e por tal atitude.

  4. Joao Pedro Godoy filho CPF disse:

    As vias públicas brasileiras vem sofrendo um estreitamento constante .. em contra partida os fabricantes estão alargando e ampliando seus veículos… chega a beirar o ridículo alguns acessos feitos sem nenhum critério técnico para uso de bi trem … aí veem falar de motoqueiro isso … motociclista aquilo … quando na verdade nossas rodovias estão a deriva …. vem dar uma voltinha na rodovia federal BR 470 que maravilha de duplicação frita nas coxas sem critério algum …

  5. José Eustáquio Sadi disse:

    Sou motorista e motociclista, e atribuo a principal causa de acidentes, o trânsito de motocicletas nos tais corredores. Considero a distância lateral existente entre as faixas, como uma margem de segurança entre os veículos, tal como previsto na distância frontal, em relação ao veículo á frente. Imaginem a situação de um veículo, que repentinamente seja obrigado a desviar de um buraco, quais alternativas terá: – freiar bruscamente, podendo ocasionar colisões ; – cair neste buraco, danificando seu veículo; – ou desviar utilizando com segurança a distância lateral entre as faixas de rolagem? Temos que avaliar situações deste tipo, recorrentes no dia a dia, que é ainda agravada, pelas altas velocidades nos referidos corredores, praticadas por grande parte de motociclistas..

  6. Maicon disse:

    Olá meu nome é Maicon, fui motociclista durante muito tempo em uma cidade do interior onde o transito é bem mais leve do que Brasília onde moro atualmente, devido a necessidade de ter um carro por causa da família e trabalho, hoje conduzo somente carros, mas quando cheguei a Brasília fiquei espantado com essa questão de corredores feito pelos motociclistas. No exato momento que escrevo esta mensagem a uma 3 horas atrás me envolvi em um acidente como este com uma motoqueira. Graças a Deus não houve nada grave, mas poderia ter acontecido algo muito pior, eu estava trafegando em uma via movimentada aqui de Brasília chamada estrutural onde o trafego de motos é intenso, quando olhei no retrovisor avistei uma motocicleta atrás do carro, só que afastada o suficiente para uma mudança de faixa, quando olhei para frente novamente e dei a seta para mudar de faixa, a motocicleta já estava colada no meu carro e quando fiz a passagem a roda da frente da moto raspou na traseira do meu carro, desequilibrando a motoqueira que conseguiu segurar a motocicleta e não caiu na via, que possivelmente se isso tivesse acontecido ela seria atropelada por outros carros, fiquei muito assustado com o ocorrido e agradeci muito a Deus pela vida dela por que já andei muito de moto também, mais o fato é que, quando percebi ela já estava colada no carro, foi muito rápido o deslocamento dela devido também a potencia de sua motocicleta, o fato é que poderia ter acontecido uma tragédia, nestes casos, se fosse algo judicial que estaria certo nesta situação, o motociclista que estava com uma velocidade alta no corredor ou o condutor de veículo que por um relance talvez de desatenção ou por que achou que a moto estava longe deu seta e passou para outra faixa .

  7. Paulo Ferreira disse:

    Sou motociclista há 40 anos e, exceto com o trânsito totalmente parado, não se justifica o uso dos corredores. A grande maioria dos “motoqueiros” não tem disciplina e equilíbrio emocional para se valer dessa prerrogativa. Não passam de um bando de trombadinhas apertando suas desagradáveis buzinas. Isso tem que acabar!
    O argumento da dificuldade de visão não procede, se for mantida a devida distância.

  8. Jorge Luiz Pereira disse:

    Nos países desenvolvidos os motociclistas não usam tal prática e tudo funciona, a questão é a falta de educação do motoqueiro, motociclistas não fazem isto, a falta de amor a vida. acho que com o trânsito parado o motoqueiro poderia usar o corredor, o trânsito fluiu ele deve proceder igual aos demais veículos e passível de multa.

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