Publicado em 02 de outubro, 2017 as 08h30.

Para especialista, novo processo de formação de condutores transformará CFCs em escolas de ensino da condução

Por Mariana Czerwonka.

Mudanças na 168
A especialista pergunta: o que um jovem busca no CFC para fazer o processo de habilitação: Ele busca aquela cartinha ou busca aprender a conduzir com segurança? Foto: Arquivo Tecnodata.

No último mês de julho, o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) publicou uma minuta que traz conteúdo para substituição da Resolução 168/04 do CONTRAN, que trata do processo de formação e especialização de condutores no Brasil.

O novo texto apresenta propostas para o processo de formação de condutores de veículos automotores e elétricos, a realização dos exames, a expedição de documentos de habilitação, os cursos de formação, especializados e de reciclagem, fundamentado em teorias e práticas pedagógicas que sejam capazes de promover um trânsito mais seguro, no qual os condutores tenham condições de receber a devida formação.

O Portal do Trânsito entrevistou Roberta Mantovani, Consultora em Educação para o Trânsito e integrante da Câmara Temática de Educação e Habilitação do Contran, e que participou ativamente da formulação do novo texto legal.

Mantovani explicou que o trabalho de construção da “nova 168” foi muito intenso muito participativo por parte de todos os integrantes da Câmara.

“Foi um desafio, pois mexe com a vida de muita gente, mas que entendemos como essencial para a sociedade”, explica.

Além disso, a especialista diz que a atualização do processo é uma oportunidade para a qualificação de todo o sistema de formação de condutores. “Em qualquer área de trabalho, é preciso estudar e se adequar. Na formação de condutores não é diferente. Uma instituição que se coloca como sendo de ensino, vai sempre precisar ter seus profissionais se atualizando, aprofundando seus conhecimentos, buscando qualificação e aperfeiçoamento”, diz.

 

Questionada sobre o possível aumento nos custos do processo de habilitação e aumento no número de condutores dirigindo sem habilitação, Mantovani disse que esse é um enfrentamento que o País precisa fazer. “É preciso intervir na questão da melhoria da segurança viária e a formação de condutores é um dos aspectos que pesam nessa melhoria”, garantiu.

A especialista destacou a necessidade de fazer essa reflexão e questionamentos. “O que um jovem busca no CFC para fazer o processo de habilitação: Ele busca aquela cartinha ou busca aprender a conduzir com segurança?”, pergunta.

 

Para concluir Mantovani cita a importância do processo de Consulta Pública que já foi finalizado (a entrevista aconteceu antes desse encerramento) e destacou o papel do CFC e do instrutor nesse futuro cenário.

 

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  • Keyth Mota

    Não acredito que os problemas que apontamos do transito no Brasil, esteja na formação dos condutores.
    Acidentes de trânsito em sua maioria estão relacionados com o excesso de velocidade, embriaguez e uso do celular enquanto dirigem. Com isso, devemos pensar na educação de base familiar, questões de ordem moral e ética estão em jogo. Nem um candidato a habilitação muda seu comportamento de convívio social depois de aprender a dirigir ou aprender sobre regras de transito. Isso é discurso muito raso de um problema bem maior. A questão central deve estar voltada na coerção e consenso , enquanto indivíduos que cometem crimes no trânsito ficarem impunes e os orgãos do SNT terem suas decisões voltadas aos interesses políticos e econômicos. Pode revirar o processo de formação de condutores de ponta cabeça, nada irá adiantar!!!!

  • Camponez Frota

    Não entendemos que a mudança de comportamento dos motoristas, habilitados com o curso de formação nos CFC’s, com maior carga horária/aula, ou instrumentos simuladores de direção são o bastante para mudar comportamentos e minimizar os acidentes de trânsito por parte dos motoristas brasileiros. Os problemas de trânsito são bem maiores e trazem um cunho educacional de base na formação dos cidadãos. Não haverá uma redução nos índices de violência no trânsito nem minimização das ocorrências por comportamentos inadequados, enquanto não haver o entendimento que é na base escolar que começa o processo de formação do cidadão responsável e civilizado, e isso inclui o trânsito como o espaço de relação interpessoal. Vemos que no ensino fundamental sequer movimenta-se o estado brasileiro para cumprir, no aspecto “educação para o trânsito”, o que apregoa no CTB, referente a instituição e fomento dos ensinamentos dos alunos no quesito trânsito. A forma simplista e predatória no poder econômico dos cidadãos sempre tem sido a mais usual para tentar dar satisfação à sociedade pelo caos que estamos vivenciando no dia-a-dia, nas vias de terrestres do País. Mudanças de comportamentos iniciam-se na base, e entendemos que a base é a formação das crianças para um trânsito mais humano e seguro, e não por uma simples pseudo formação de condutores que traz um problema na origem do cidadão o descaso governamental dom a educação para a vida social.

  • David Bartniak

    Os acidentes de trânsito só vão diminuir quando houver uma mudança de consciência na sociedade. Tal mudança só acontece através da educação para o trânsito que é um direito do cidadão e deverá ser promovido desde a pré-escola até o 3º grau, como prevê os artigos 74 e 76 do CTB. Infelizmente o que é dever da União, Estados e Municípios sempre é negligenciado e quase sempre a responsabilidade é repassada à esfera privada, neste caso os CFC’s. Essa consulta pública promovida pelo Contran e Denatran não passou de um mero faz de conta, foi promovida para dar uma aparência democrática ao processo que, na verdade, já estava concluído. Me pergunto qual dos “especialistas” em trânsito teve a brilhante idéia de sugerir aulas práticas de moto em via pública? E se um jovem se empolgar e não mais obedecer ao instrutor e acabar se acidentando? De quem será a responsabilidade? E este é apenas um dos absurdos da tal “nova 168”. É fácil ditar regras estando atrás de uma mesa! Frase antiga, mas cada vez com mais sentido: “O Brasil é o país da piada pronta”.

    • Mateus Fernandes

      De pleno acordo com sua frase (É fácil ditar regras estando atrás de uma mesa!). Quem dera pudessemos mudar um comportamento em sala de aula.

  • Mateus Fernandes

    Sabe qual vai ser a mudança com tudo isso? Mais pessoas dirigindo sem Habilitação!!!!