Publicado em 04 de dezembro, 2019 as 14h49.

O desafio às regras e a formação do condutor

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Infrações de trânsito
Apesar de conhecer as regras, muitos condutores cometem infrações. Foto: Picspree.com

Regra geral, desde o primeiro dia de aulas no CFC, os alunos aprendem Legislação de Trânsito, que trata, não apenas de Leis, Resoluções e Portarias, mas do comportamento que deve ser adotado para a convivência pacífica e harmoniosa no trânsito.

Por que será, então, que os condutores, na sua grande maioria, cometem infrações? O que faz com que isso aconteça? Por que desafiar regras?

A dificuldade em aceitar regras e desafiar a autoridade é algo aceito como natural pela sociedade, embora não devesse ser dessa forma. O amor à transgressão e ao questionamento dos padrões estabelecidos sem levar em conta que o amor à liberdade esbarra na responsabilidade, na impossibilidade de existir uma sociedade sem regras, independe de gênero e idade. Contudo, desafiar regras no trânsito, assim como na vida, tem consequências. Na sociedade em que vivemos, existem padrões mínimos de conduta que devem ser seguidos, independente de concordarmos ou não. Todo direito esbarra em limitações, no direito do outro.

Grande parte das vezes, os alunos chegam ao CFC excitados com a possibilidade de, finalmente, ter a sua tão sonhada CNH. Já se frustram de início por ter que cumprir a carga horária estabelecida pela Legislação, aprendendo coisas que basicamente acham que “sabem”.

A desconstrução desses conceitos é bastante trabalhosa e envolve muito empenho e dedicação da parte do Instrutor. Falar para um público basicamente desinteressado no conhecimento (que “já possui”) e focado em ser aprovado na prova do DETRAN é muito mais difícil do que possa parecer.

Muitos alunos, que tinham plena convicção de que sabiam tudo, algum tempo depois, retornam ao CFC não para agradecer, mas para realizar Curso de Reciclagem por desrespeito as regras que resultaram em suspensão e até cassação da sua CNH, o que frustra e muito os Instrutores que tanto se empenharam na formação dos seus alunos.

Que medidas são necessárias para mudar isso? O que se pode fazer dentro do CFC, na formação dos condutores? Há algo que precisa mudar?

É sabido que muitas das leis que regem o nosso trânsito, e, como não dizer, o nosso país, atravancam o progresso e engessam a sociedade e não são, necessariamente corretas, não acompanharam a evolução. Mas as regras têm um porquê de existir, ainda que não estejam de acordo com aquilo que se pensa ser o melhor. A luta para que seja diferente não deve e não pode ter como palco o trânsito, atrás do volante de um veículo, sendo imprudentes e inconsequentes, burlando as regras.

É importante ressaltar que, muitas regras que consideramos incorretas, foram sendo construídas e aperfeiçoadas (nem todas elas, logicamente) ao longo do tempo e, podem até vir a ser substituídas por algo bem pior, assim, acabamos nos conformando com o que está posto hoje, como diziam os antigos: “dos males, o menor”.

O panorama que se apresenta no trânsito hoje é praticamente um “salve-se quem puder”. Não deveria ser dessa forma e faz parte do papel do Instrutor do CFC desconstruir esse cenário e mostrar aos seus alunos as consequências do desrespeito às regras de trânsito.

O trânsito é um ambiente social onde temos que nos submeter as regras existentes para a boa convivência, para a nossa segurança e de todos os que dele participam. Não podemos aceitar os acidentes, as mortes e nem mesmo as infrações de trânsito como algo normal, comum, aceitável e o que é pior: justificável. Não se pode aceitar que se exalte o transgressor, o violador de leis. O correto é fazer o que é certo sempre. Esse deve ser o comportamento a ser trabalhado e reforçado com os futuros condutores.

3 respostas para “O desafio às regras e a formação do condutor”

  1. Angélica disse:

    Concordo em partes com essa postagem,acredito sim que leis e regras de vão ser respeitadas para o bom funcionamento,das leis(que nem sempre acompanham a evolução),funcionarem.
    Quando na realidade,as leis de trânsito são única e exclusivamente para fumcionar algo que se perde atravéz de tanta crueldade,como por exemplo a falta de respeito de nossos governantes,com os nossos direitos e deveres.
    Pois é o negócio é bem mais em baixo, digo na falta de respeito por quem luta e constrói um país,temos que entender que não devemos querer só para nós as coisas e sim respeitar o todo.
    Todos dirigimos para lugar algum, enquanto quem deveria por honra e por glória dirigir uma nação,sem ao menos entender que só está lá pelo povo e para o povo.
    Respeito vem de quem tem e se quem governa uma nação não o tem,todos nós perdemos.!

    • Sergio disse:

      Essa é a desculpa de pessoas que gostam de botar a culpa sempre nos políticos e não que seja incorreto mas um povo que corre atrás das mazelas nunca terá um político honesto ou seja em quanto houver gente que paga sempre terá alguém para receber do outro lado, então temos que lutar passar aos nossos alunos a ética para poder cobrar os políticos o resto é demagogia barata

  2. Paulo José Bica Rodrigues disse:

    Boa noite! Como instrutor de trânsito sei bem como é difícil esse processo ensinar alguém, ainda mais quando ele já está com sua opinião formada sobre algo.
    Esse “já sei tudo” é uma grande construção, começando quase que do ventre materno, com as sensações derivadas do trânsito, depois as vivencias na infância com os motoristas da casa; uso de bebê conforto, cinto de segurança, uso correto de seta, respeito a sinalização, etc… são algumas das centenas de referências que nosso cérebro vai armazenando e criando a definição de trânsito. Isso é tão forte que se você falar a palavra trânsito, na maioria das mentes virá a imagem de um CARRO, e sabemos que trânsito não é só carros.
    Então eu digo que o trânsito começa em CASA, portanto, a família que é a maior formadora de conceitos do ser humano, é também a maior influenciadora nesse processo de respeito as leis de TRÂNSITO.
    Já desenvolvi muitos trabalhos com alunos trabalhando desde suas experiencias familiares e o resultado foi fantástico, isso tanto na parte teórica quanto na prática.
    “SE A ARVORE ESTÁ DANDO FRUTOS RUINS, NÃO ADIANTA TRATAR AS FOLHAS OU METER VENENO, MUITAS VEZES É NECESSÁRIO TRATAR A RAIZ.”

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