Publicado em 18 de janeiro, 2019 as 12h17.

Bicicleta como transporte diário: possibilidade ou loucura?

Por Rodrigo Vargas de Souza.

Bicicleta na rua
Foto: Divulgação Rodrigo V. de Souza.

Há alguns dias conversava via mensagens com um amigo que está morando há aproximadamente dois anos em Portugal. Tentando não me alongar demasiadamente na resposta, tentei ser sucinto ao resumir nossa situação aqui depois de alguns meses sem conversarmos: “…sigo enlouquecido com o condomínio (na condição de síndico), a Isa (filha mais nova) tá com catapora, a Mari (filha mais velha) colocou aparelho nos dentes e a Bruna (esposa), como sempre, de dieta…(risos)”.

Seguidas algumas outras mensagens, achei pertinente informar uma mudança que foi bastante significativa pra mim: “…estou desde setembro sem carro (assim como já havia mencionado em CARRO QUE MUITO SE AUSENTA, UMA HORA DEIXA DE FAZER FALTA). Tenho ido trabalhar de bicicleta.” Me senti super “europeu” depois de dizer aquilo. Esperando uma resposta positiva, sobretudo vinda de alguém que está há quase dois anos morando lá, fui surpreendido com um espantoso “TU TÁ MALUCO!”

Aquela conversa me levou a refletir algumas coisas. Eu tinha uma bicicleta guardada há anos. Nada de muito sofisticado… bem pelo contrário! Daquelas bem simples, compradas no Walmart, o que não me trazia segurança para usá-la diariamente, muito embora já tivesse experimentado ir pro trabalho com ela algumas outras vezes. Recentemente, fiz uma reforma geral nela, na qual gastei em torno de R$ 600, mas fiquei com uma bicicleta praticamente nova. Se fosse “investir” esse valor num veículo eu dificilmente trocaria mais que dois pneus, ou abasteceria o suficiente para rodar uns dois meses…

Minha esposa, quando ficou sabendo do valor da reforma, vociferou um “Ah! Mas que caro…”. O fato é que, só com o que economizei de garagem nesses meses sem carro a reforma da bicicleta já se pagou. Usando o carro praticamente só aos finais de semana já gastava em torno de dois tanques por mês. Lá se vão mais no mínimo R$ 350 por mês… Isso sem contar os demais custos de se manter um carro, já citados em RECEITA DEFINITIVA PARA EMAGRECER: COMPRE UM CARRO!.

Obviamente nem tudo pode ser feito de bicicleta. Às vezes, inevitavelmente, precisamos de um carro. Para os casos mais diários e corriqueiros, os aplicativos como Uber e 99 têm se mostrado bastante eficazes. Com esses, tenho gasto em média R$ 150/200 por mês. Para viagens mais longas, simplesmente alugo um carro, o modelo que eu bem entender e pelo tempo que eu precisar.

Bem, creio que a economia, no que tange à bicicleta, seja ponto pacífico. Hoje mesmo voltei da oficina por ter que trocar uma câmara furada e, por isso, gastei o “absurdo” valor de R$ 27. Assim como questões relacionadas à saúde e qualidade de vida. É evidente que o ato de dirigir é um convite à inércia, ao sedentarismo. Ao pedalar, além de estar me exercitando, economizando, posso desfrutar de imagens como essa acima, do pôr do sol mais lindo do mundo. Poderia você viver dessa forma? Ou também acharia loucura?

 

3 respostas para “Bicicleta como transporte diário: possibilidade ou loucura?”

  1. Antonio Raimundo Souza Lima disse:

    Uma maravilha, uma possibilidade incrível, só precisa as pessoas terem consciência e respeitar a vida do ser humano porque os ignorantes que andam de carro acham que são dono do transito, a falta de respeito é muito grande para com um meio de transporte de tamanha importância, faz bem pra saudê, para o meio ambiente, mais econômico é uma atividade espetacular seja como transporte, como diversão, ou como esporte… Amo bicileta.

  2. Marcos Ramalho disse:

    Sempre achei positiva a idéia de ir ao trabalho não só de bicicleta, mas podendo usar o skat, patins e, também, a bicicleta. Mas com segurança!
    Falta aos senhores prefeitos olharem para essa possibilidade e construir novas pistas destinadas a esses transportes. Eu não pedalo nas ruas sem que haja segurança, e aqui na cidade de Maceií/AL., muitos são os acidentes. Outras capitais já investem nestes transportes, São Paulo segue como um bom exemplo.

  3. As regulamentações mínimas de qualidade das infraestruturas cicloviárias no Brasil praticamente inexistem. Cada cidade, cada engenheiro ou arquiteto e urbanista projetam estas infraestruturas da forma que bem entendem da sua cabeça. O manual de sinalização CONTRAN só recomenda largura mínima, não obriga, além de colocar ciclistas em risco ao permitir ciclofaixas bidirecionais em vias arteriais! Não há garantia de acessibilidade com meios fios sem rebaixo, rampas inadequadas, larguras insuficientes e as estruturas são desconectadas. Sem contar que praticamente não fiscaliza-se o cumprimento do Art. 201 aplicando-se o Art. 169, já que não é possível utilizar o Art. 192. Então é uma bagunça.

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