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Provão dos instrutores: EAD para qualificar antes e avaliar depois


Por Márcia Pontes Publicado 07/10/2013 às 03h00 Atualizado 02/11/2022 às 20h42
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Prova para instrutores

Chegou a ser informado que o provão dos instrutores e examinadores (nos moldes do Enem) sairia ainda este ano. Constava na justificativa do requerimento de realização da audiência pública, documento emitido em junho deste ano.

Mas, de lá para cá, em busca de soluções efetivas para a formação e qualificação de instrutores, em audiência pública realizada em Brasília, no dia 24 de setembro último, a representante do Denatran e Coordenadora Geral de Qualificação do Fator Humano, Maria Cristina Hoffmann, explicou o tom das mudanças: qualificar antes, avaliar depois.

Tanto o Exame Nacional de Instrutores de Trânsito (ENIT) quanto o Exame Nacional de Examinadores de Trânsito (ENET) já tinham sido aplicados em 2004 em alguns estados brasileiros com 3 mil profissionais voluntários e possibilitaram traçar um perfil da categoria.

Àquela época, por não ser obrigatório, apenas 3 mil profissionais participaram. Pouca gente sabe, mas essa pesquisa contribuiu para a edição da Resolução 321: houve solicitação de revisão do exame, o DENATRAN fez nova proposta ao CONTRAN e a referida resolução editada.

Ocorre que alguns Detran’s alegaram dificuldades que impossibilitariam a aplicação de um provão nacional nesses moldes, o que tem levado a debates na cúpula do Sistema Nacional de Trânsito para se tentar achar uma solução, principalmente, para a qualificação.

Os resultados dessa primeira aplicação do ENIT revelaram uma média de pontos muito baixa (apenas 33) para quem está ensinando e trabalhando com a formação de novos motoristas num cenário de guerra no trânsito.

O perfil dos instrutores era de homens com mais de 41 anos, ensino médio, trabalhando mais de 40 horas semanais. Muitos, trabalhando manhã, tarde e noite, e ganhando R$ 4,00 a hora-aula em alguns estados. O primeiro questionamento: como ensinar com qualidade ganhando tão pouco?

A renda familiar do instrutor à época era de R$ 600,00 a R$ 2 mil e não foi considerada suficiente para manter uma família. Uma das leituras foi de que trabalhar muito e ganhar pouco poderia incentivar às fraudes e facilitações no exame de direção.

Destes 3 mil instrutores que participaram do primeiro ENIT alguns trabalhavam com carteira assinada, outros como autônomos, 13% eram empregadores, alguns como proprietários de CFC. Dessa amostra, 75% exerciam outra atividade remunerada junto com a profissão de instrutor de trânsito, sem dedicação exclusiva.

Reconhecendo as dificuldades na formação básica e permanente dos instrutores, entendeu-se que avaliar e “cobrar” sem qualificar antes não seria justo.

Diante disso, foi feita a proposta de fazer uma qualificação nacional para os instrutores e examinadores, com 60 horas, gratuita, obrigatória, feita pelo DENATRAN, com avaliações periódicas paralelas à formação.

A proposta é que o curso seja à distância, utilizando as facilidades da tecnologia. Se os profissionais não tem computador em casa, podem acessar no CFC, lan house ou da forma que melhor lhe convier.

Outra possibilidade de mudança estudada pelas câmaras temáticas e grupos de trabalho em torno da questão é a melhoria da qualidade pedagógica, iniciando pelos conteúdos das apostilas utilizadas pelos CFC’s nas aulas.

A escola corporativa do DENATRAN, que antes oferecia somente os cursos presenciais, vai ser reativada para a modalidade EAD, que contará também com a parceria com as universidades federais para a realização de cursos de qualificação à distância.

O Banco Nacional de Questões será desenvolvido e atualizado permanentemente como compromisso do DENATRAN dentro do plano da Década de Ações para a Segurança no Trânsito (2011-2020).

Será criado o Comitê Nacional de Avaliação Qualitativa de cursos e materiais de CFC e a avaliação deve ser como a feita pelo MEC, com visitas aos CFC’s, diferente da vistoria burocrática que prevalece.

O material das cartilhas e apostilas compradas pelos CFC’s será reavaliado e certificado. É como se fosse um selo de qualidade dos materiais de CFC que implicará, também, num compromisso de qualidade das editoras fornecedoras.

Além disso, também existe dentro da câmara temática a sugestão de um curso de renovação a cada 5 anos para todas as pessoas quando forem renovar a habilitação, mas ainda está sendo estudada e debatida pelos especialistas.

Realmente, o momento por que passa a qualificação na formação de condutores no Brasil é histórico. Nunca antes se realizaram tantos debates sobre o tema.

Mas, é importante que mesmo com as propostas de qualificação e formação oferecidas pelo DENATRAN os CFC’s não deixem de reconhecer e investir no seu maior capital social: os instrutores.

Fica a dica: sugestões, solicitações e reivindicações podem ser feitas junto aos respectivos sindicatos e órgãos de representação de cada categoria visando a melhoria tanto na formação do condutor quanto do instrutor.

E você, o que pensa sobre as possibilidades de mudança?

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