Publicado em 19 de fevereiro, 2019 as 17h02.

O fim dos CFC´s?

Por Alessandro Coelho Martins.

Quando eu falei sobre esse assunto numa mesa onde haviam vários proprietários de CFC´s, quase apanhei. Porém depois de explicar meu ponto de vista, eles me deram razão e ficaram de cabelo em pé.

Tal afirmação, possui 3 justificativas bem simples: a queda significativa no número de processos de primeira habilitação, a facilidade e o baixo custo de deslocamento através do Uber e o elevado custo para manutenção de um veículo, além do preço exorbitante para se habilitar no Brasil.

Eu quando estava prestes a completar 18 anos, eu sonhava em ter um carro para poder passear aos finais de semana. Hoje meu filho, que está nessa faixa etária, prestes à primeira habilitação, não quer começar a vida adulta com todos esses compromissos financeiros. Hoje, o custo médio para se adquirir um veículo considerado popular é muito alto.

Vamos à contas: um carro popular custa em média R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), se for pago à vista, senão vai cair nas taxas de juros de um financiamento bancário. Além disso, tem as despesas do primeiro registro e ainda os elevados custos da nova placa Mercosul. Isso sem falar em IPVA, Licenciamento, Seguro Obrigatório, Seguro Particular (que para recém habilitados é a classe de risco mais cara), combustível, estacionamento, lavagem quinzenal, pedágio, manutenção, isso só para começar.

Agora vamos falar do processo de habilitação que é composto da avaliação médica, avaliação psicológica, aulas teóricas e avaliação teórica e por fim aulas práticas e a avaliação prática. O CFC é responsável por ministrar aulas teóricas e práticas, somente isso, tipo um cursinho pré vestibular.. Porém com a propagação da modalidade EAD, inclusive para cursos de reciclagem para condutor infrator, logo essa modalidade se estenderá para os cursos de primeira habilitação.

Muitas universidades pelo Brasil, formam profissionais das mais diversas profissões pelo sistema EAD, não seria um curso teórico de primeira habilitação, com uma carga horária infinitamente menor que ficaria de fora.

Mas a grande sacada seria nas aulas práticas. Eu como trabalhei no DETRAN por mais de uma década, muitos deles auditando autoescola em todo o processo de formação do futuro condutor e prestando consultoria para centenas deles desde 2004, afirmo que um grande número de CFC´s não ministra as aulas práticas em sua totalidade, conforme reza a legislação federal.

Muitos apenas assinam antecipadamente a ficha de aulas práticas, pois já sabem dirigir e já são encaminhados ao teste prático, e em muitas vezes o aluno dirige muito melhor que o instrutor.

Para as aulas práticas, eu acho que a solução seria um aplicativo tipo “Uber” desenvolvido pelo DETRAN que o aluno instalaria em seu smartphone, e quando ele tivesse qualquer disponibilidade para fazer aulas práticas, ele faria a buscar por um instrutor com veículo disponível ao seu redor, assim como se procura um motorista de Uber.

Essa aula, além do trajeto ser registrado, tanto para o aluno para fins e comprovação de cumprimento de carga horária, como para o instrutor para fins de recebimento de aulas práticas efetivamente ministradas, e for fim para o DETRAN para informação no processo até a conclusão do mesmo. Qualquer instrutor teria acesso à ficha de aula prática, para que pudesse ministrar a aula vigente, sabendo qual foi o desempenho do aluno na aula anterior. E por fim, agendaria da mesma maneira um teste prático, consultando a agenda de teste prático no DETRAN a disponibilidade do instrutor que o acompanharia no teste.

Resumindo, o avanço tecnológico através dos aplicativos é um caminho sem volta. Assim como aconteceu com os táxis através do Uber, com imobiliárias através do Air BNB, com as locadoras de vídeo através da Netflix e tantas outras, acontecerá em breve com as autoescolas. Pode anotar!

*Texto originalmente publicado no site Jusbrasil

3 respostas para “O fim dos CFC´s?”

  1. Celso Alves Mariano disse:

    À propósito de modificações no processo de primeira habilitação, leia: http://portaldotransito.com.br/educacao/sala-de-visitas/sala-de-visitas-com-francisco-garonce/

  2. Marcia disse:

    Hj p qq emprego vc precisa de uma cnh. Apesar do custo do veiculo e uma realidade! Trabalho com rh e sei q e uma exigencia de 80% dos cargos, mesmo qdo nao tem nd a ver com motorista.

  3. Tarcisio disse:

    Confesso que li com tristeza essa publicação.
    Esse tipo de texto não traz a realidade, mas sim, aquece o discurso daqueles que militam pelo fim das autoescolas.
    Vou então contestar por partes.
    Primeiramente, o curso teórico é de imensa importância. Sabemos que na cultura brasileira, o habito de estudar e de buscar conhecimento de forma autodidata é muito baixo. Pouquíssimos brasileiros aproveitam os cursos EAD como se espera. É só observar quais são os cursos liberados para EAD e o destaques dos profissionais destes. O número de mortes nas vias públicas brasileiras, beira aos 40.000 / ano, confiar que os futuros condutores obtenham as informações em cursos EAD é o mesmo que permitir que um estudante de medicina se forme em EAD.
    Com relação ao dito que muitos alunos não fazem a carga horaria determinada em lei nacional, mas que já se matriculam na autoescola e vão para o exame, muitas vezes dirigindo melhor do que o instrutor…Isso é um falacia, triste de ser lida. A direção defensiva prevê 5 fundamentos : Conhecimento, atenção, decisão, previsão e habilidade. De fato o aluno que “já sabe dirigir” talvez possua habilidade, ou seja, já sabe colocar o veículo em funcionamento. Entretanto para se ter segurança no trânsito, não basta apenas isso, existe todo um conjunto de habilidades que só é seguramente garantido aos novos condutores por meio de treinamento integral, teórico / pratico.
    Com relação a uberização da profissão de instrutor, é IMPORTANTÍSSIMO verificar que uma vez que o aluno procure o instrutor que lhe convier, onde estiver e a qualquer tempo, serão os instrutores “profissionais liberais” ou seja, se trabalharem vão ter como se sustentar, se não trabalharem, poderão passar até fome. Além do mais, não terão direito a férias, decimo terceiro salario, terço constitucional, seguro desemprego, aposentadoria, entre outros.
    Vejo que muita gente “vilaniza” as autoescolas com relação aos preços, como o próprio texto já trouxe, um carro popular tem alto custo, além de salários, encargos trabalhistas, danos aos veículos, manutenção dos veículos, exigências legais da infraestrutura de funcionamento. Tudo isso é necessário para que o processo de aprendizagem seja seguro. Buscar de qualquer forma “baratear” o processo de habilitação é um caminho sem volta para o aumento da barbárie em nossas vias.

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