Publicado em 18 de agosto, 2015 as 18h36.

Motociclistas são as maiores vítimas do trânsito de acordo com DPVAT

Por Mariana Czerwonka.

Motociclistas e o DPVATNo primeiro trimestre de 2015 as indenizações pagas pelo Seguro DPVAT registraram crescimento de 15% se comparado com o mesmo período de 2014, segundo a Seguradora Líder. Ainda de acordo com os dados, os casos de Invalidez Permanente representaram a maioria das indenizações pagas no período (79%) mantendo o comportamento observado no ano anterior.

Além disso, registraram crescimento de 20% ante o mesmo período de 2014. Analisando os dados, percebe-se que os acidentes envolvendo motos são os grandes responsáveis por esses números.

Os casos de morte registraram uma redução de 5% em relação ao mesmo período de 2014, e sua participação foi menor na quantidade de indenizações em relação às demais coberturas.  “Para entendermos esse fenômeno, imaginemos: quem morreu, perdeu 100% da saúde; quando programas e ações para diminuir a gravidade dos acidentes são eficazes, quem perderia 100% perde “apenas” 95%, quem perderia 90% perde “apenas” 85% e assim por diante; então, os que morreriam “viram” feridos muito graves e estes, feridos graves, e estes, feridos menos graves, de tal forma que ocorre um deslocamento na curva deste gráfico nefasto”, avalia Celso Alves Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal.

No primeiro trimestre de 2015, a maior incidência de indenizações pagas foi para vítimas do sexo masculino, mantendo o mesmo comportamento dos anos anteriores. A faixa etária mais atingida no período foi de 18 a 34 anos, representando 52% do total das indenizações pagas, o que corresponde a quase 100 mil indenizações. No período analisado, a maior incidência de vítimas foram os motoristas (64%). Em acidentes fatais, os motoristas representaram 54% das indenizações pagas e em acidentes com sequelas permanentes, 65%, predominando significativamente os motociclistas (91%)

A motocicleta

A motocicleta foi o veículo com o maior número de indenizações de janeiro a março de 2015. Apesar de representar apenas 27% da frota nacional, concentrou 77% das indenizações. E o mais grave, que afeta diretamente toda a sociedade, as vítimas de acidentes com motocicletas são em sua maioria jovens em idade economicamente ativa. No primeiro trimestre de 2015, as vítimas entre 18 e 34 anos concentraram 55% dos acidentes fatais e 57% dos acidentes com sequelas permanentes. No período analisado, foram pagas mais de 65 mil indenizações por Invalidez Permanente a vítimas nessa faixa etária, envolvendo o uso de motocicletas.

A região Nordeste concentrou 42% das indenizações por Morte e Invalidez Permanente por acidentes com motocicletas no período analisado. “As motocicletas substituíram no Nordeste, muitos tipos de meios de locomoção. Junte-se a isso o fato de que, em várias cidades, é bastante comum o serviço de moto-táxi (pouco difundido no Sul) e ainda a resistência de muitos em usar o capacete”, argumenta o especialista.

Para Mariano, porém, essas questões não são as mais graves. “O pior problema é que muitos desses motociclistas pilotam sem nenhuma formação para isso, sem nunca sequer terem entrado numa autoescola”, analisa. Por exemplo, segundo o Detran/CE, a frota de motocicletas no Interior é de aproximadamente 650 mil, enquanto a dos portadores da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A (para guiar motos) é de cerca de 450 mil. “Significa dizer que cerca de 200 mil pessoas conduzem motocicletas de forma indiscriminada, sem ter passado por aulas de legislação de trânsito, isso só em um estado”, explica.

Os pagamentos das indenizações referem-se às ocorrências no período e em anos anteriores, observado o prazo prescricional de 3 (três) anos para solicitar o benefício do Seguro DPVAT.

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