Publicado em 06 de maio, 2020 as 11h28.

Covid-19 muda o comportamento das pessoas no trânsito

Por José Nachreiner Junior.

Mobilidade urbana
Foto: Freeimages.com

Você já parou para pensar o quanto o Covid-19 mudou sua vida? Uma profunda mudança na sua rotina nesses dias de isolamento tem ocorrido: as crianças estão estudando em casa, você não pode mais fazer visitas aos parentes idosos, vê as principais avenidas da sua cidade bloqueadas, não pode mais frequentar bares, restaurantes, academias e shopping centers que costumava ir sozinho ou com a família. Nosso cotidiano mudou e pode mudar muito mais.

Uma crise sanitária global sem precedentes nos últimos cem anos nos coloca diante de um mundo sem turismo, hotéis vazios, milhares de voos internacionais cancelados, cidades do mundo inteiro sem mobilidade urbana aparente por conta do isolamento social. Presenciamos o fortalecimento de valores como a empatia e mudanças que já estavam em curso, mas agora de forma muito mais rápida como a educação a distância e o trabalho remoto.

Neste momento não existem remédios comprovadamente eficazes nem vacina contra o Covid-19.  Todo cuidado é pouco. As cidades brasileiras sofrem com milhares de mortos e com pessoas contaminadas pelo vírus, aumentando a necessidade do isolamento social e, com ele, uma mudança radical para negócios como bares, restaurantes, cafeterias, academias e coworkings, que precisam repensar espaços para reduzir aglomerações, um desafio para o mercado de eventos como shows ao vivo, salas de cinema, teatro entre outros.

Até bem pouco tempo atrás você imaginava que shopping centers fechariam, e para muitas pessoas o Dia das Mães seria virtual? A necessidade de sobrevivência está fazendo com que as empresas reforcem a confiança em seus colaboradores e, com ela, o trabalho em casa, o home office, que deixou de ser uma alternativa para ser uma necessidade.

Um dos setores afetados em grande escala é o da mobilidade urbana: mais gente em casa, menos gente no trânsito, nos transportes coletivos, menos acidentes fatais, menos infrações, menos poluição ambiental e sonora. O Portal do Trânsito entrevistou alguns motoristas que falam sobre dirigir em plena pandemia.
Sandra Regina Karaoglan, 58, Gerente SESC-SP
Sandra Regina Karaoglan, 58, Gerente adjunta SESC-SP

 

A gerente adjunta do centro audiovisual do Sesc-SP, Sandra Regina Karaoglan, afirma: “agora com meu trabalho em home office há mais de 50 dias, fica difícil imaginar que eu, moradora do Brooklin, levava 50 minutos, de carro, até chegar no Sesc do bairro do Belenzinho onde trabalho, percorrendo uma distância de 20 Km.  Tenho saído de carro apenas para ver meu pai e ir ao mercado, nunca vi tão pouco trânsito nas ruas e avenidas de SP, sem falar que é difícil ver um pedestre atravessando a rua, o que me deixou menos atenta e acabo recebendo multas que não recebia com toda aquela agitação antes da pandemia”.

 

 

Luciano Tadeu de Oliveira, 46, Consultor de Comunicação - SP.
Luciano Tadeu de Oliveira, 46, Consultor de Comunicação – SP.

Para o consultor de comunicação Luciano Oliveira, que mora em São Paulo no bairro do Morumbi e trabalha na Avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklin, “tudo está muito mais tranquilo, eu ando só de moto e levo apenas 7 minutos para chegar ao trabalho, como já praticava home-office antes, não mudei praticamente nada na minha rotina. Tenho ido ao escritório pelo menos 3 vezes por semana pois, como o restante da equipe está em casa, o ambiente fica ainda mais livre pro trabalho”.

Quanto aos cuidados com o Covid-19, Luciano afirma que: “tenho pouco cuidado adicional ao que já praticava normalmente antes. Usar luvas é normal; como uso capacete aberto, tenho o hábito de vestir uma bandana no rosto que, na prática, funciona como uma máscara; hoje em dia adicionei um tubo de álcool em gel para fazer uso sempre que paro em algum lugar”.

Entregas de mercadorias
Marques Oliveira, 38, motorista de aplicativo - PR.
Marques Oliveira, 38, motorista de aplicativo – PR.

O motorista de aplicativo de Curitiba, Marques Oliveira, que mora no bairro Mercês, diz que “trabalhar com essa pandemia tem sido completamente inviável para quem, como eu, precisa de passageiros, pois a oferta de motoristas é muito grande para poucos clientes, é difícil me acostumar dirigir o tempo todo com máscara e à noite, por exemplo, preciso ter a atenção mais que redobrada, pois é no vazio das ruas que o motorista, ao se acostumar com o sossego, pode sofrer um grave acidente e também, creio que pela falta de trânsito, por distração ou não ter me habituado ainda com tudo tão vazio, tenho tido mais multas, pois é um convite para andar mais rápido. Quanto ao vírus, tenho limpado o carro todas as vezes que desembarca um passageiro e tenho sempre comigo álcool em gel”.

Gustavo Teuber, 28, Cheff de cozinha - PR.
Gustavo Teuber, 28, Chef de cozinha – PR.

Já o chef de cozinha, curitibano e proprietário da Toniollo Massas, Gustavo Teuber, afirma que “na gastronomia o profissional que executa as tarefas não tem como trabalhar home office e a cantina onde também trabalho teve que se adaptar para entregas delivery.  Pela minha empresa de massas saio de carro para fazer entregas e tenho encontrado ruas e avenidas vazias ou com muito pouco trânsito e está menos perigoso dirigir e também não vejo muitos pedestres.  Ainda não me acostumei a usar a máscara para dirigir, mas estou ciente que aqui na minha cidade, Curitiba, isso dá multa”.

Mudança de comportamento

Todos os entrevistados disseram que se tivessem que passar novamente pelo processo da primeira habilitação, prefeririam aulas teóricas por meio do ensino a distância e todos eles também já fizeram cursos de reciclagem online, por ser, segundo eles, mais prático, podem estudar a qualquer hora e de qualquer lugar.

A pandemia tem mudado nosso comportamento rapidamente, e este é um cenário a ser considerado para os próximos anos.

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