Publicado em 17 de fevereiro, 2020 as 08h12.

Grande desafio do setor é formar a imagem dos CFCs como entidades de educação

Por Mariana Czerwonka.

No último dia 11 de fevereiro foi criada a Frente Parlamentar em Defesa da Educação no Trânsito e da Formação de Condutores, iniciativa do deputado federal Abou Anni (PSL/SP), na Câmara dos Deputados. A Feneauto – Federação Nacional das Autoescolas esteve presente, representada por seu Presidente Magnelson Carlos de Souza. Ele é membro da Câmara Temática de Habilitação do Contran e uma das pessoas mais respeitadas neste meio.

Magnelson conversou por telefone com o diretor do Portal do Trânsito, Celso Alves Mariano, na última sexta-feira, e contou sobre o apoio irrestrito da Feneauto à bandeira da educação para o trânsito. Ele diz acreditar que esta Frente Parlamentar vá defender o que é bom para o trânsito brasileiro. No evento, ele falou que o grande desafio do setor de autoescolas é formar a imagem dos CFCs como entidades de educação. Ele destacou a presença da Deputada Christiane Yared no evento e lembrou que já existe na Câmara dos Deputados outra Frente Parlamentar, comandada pelo Deputado Hugo Leal.

O que é uma Frente Parlamentar?

Aos 3 minutos, Magnelson pondera sobre a importância das frentes parlamentares e sobre o poder e a oportunidade que elas podem gerar, explicando que para se criar um Frente Parlamentar, são necessários, no mínimo, assinaturas de 171 Deputados. Na formação da Frente Parlamentar em Defesa da Educação no Trânsito e da Formação de Condutores, o Deputado Abou Anni, conseguiu 194 assinaturas. O papel da Frente Parlamentar é promover o debate, convocando audiências públicas que permitam uma discussão melhor sobre estes assuntos. Isso permite que os deputados se posicionem com mais clareza sobre o tema.

Magnelson cita as diversas ações em curso no Congresso, destacando os Projetos de Lei na Câmara dos Deputados como os dos Deputados General Peternelli, Coronel Tadeu, Lucas Gonzales e Abou Anni, e no Senado Federal, como o da Senadora Katia Abreu (acesse os links no final desta matéria).

Judicialização 

Aos 6 minutos, Celso pondera que o trânsito brasileiro vive neste dias um cenário sem precedentes, com inúmeras proposições, discussões e uma crescente interferência do judiciário. E pergunta por que isso está acontecendo? Magnelson responde que essa judicialização é natural, inclusive por conta das frequentes manifestações do Presidente da República. Afirma que todos queremos desburocratizar, mas que tudo precisa ser feito com responsabilidade e que, quando não é, o caminho da judicialização é inevitável. O Presidente da Feneauto cita como exemplo o caso da decisão do TRF4, sobre a resolução 778 no Rio Grande do Sul.

EAD

Sobre o formato de ensino a distância Magnelson reafirmou, aos 8 minutos, o posicionamento oficial da Feneauto, dizendo que o EAD é uma tendência de futuro e que vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. Mas que hoje o Brasil ainda não está preparado para isso. Afirma que, assim como o Celso, o Portal e a Tecnodata, ele e a Feneauto também defendem que a formação aconteça presencialmente em sala de aula, e que o EAD é mais adequado para os passos seguintes, nos cursos de especialização e de reciclagem.

Ele lembra que a Resolução 168 já prevê, como opção, o EAD para cursos complementares na área de trânsito, como o preventivo, a reciclagem e os especializados. E diz que está preocupado com o assunto, para que o uso da ferramenta EAD não seja banalizada e que, por isso, acompanham o andamento da Resolução 730. Magnelson explica que as empresas do setor querem fazer parte desta forma de ensino, que pode ser importante e útil para o cidadão e para o condutor.

Citou como exemplo o que está acontecendo com a implantação Placa Mercosul, hoje transformada em PIV – Placa de Identificação Veicular, que está sendo implantada de forma frágil e banalizada no estado de São Paulo. Magnelson acredita que o EAD pode ser muito importante, mas se não receber os devidos cuidados, pode gerar muitos problemas tal qual deve acontecer com a Placa Mercosul.

Importância dos instrutores e a pretendida autonomia

Aos 11 minutos, a pergunta foi sobre a mobilização dos instrutores de trânsito que pedem autonomia para trabalhar de forma independente das autoescolas. Magnelson explica que a Feneauto reconhece e valoriza estes profissionais, e que os considera imprescindíveis nos cursos de trânsito. Explica que o setor está acompanhando com atenção o Projeto de Lei do Deputado Lucas Gonzalez (NOVO/MG), e pondera sobre a existência de uma Legislação trabalhista e que o setor funciona sob regras impostas pelas Resoluções do CONTRAN que impõem a necessidade de vinculação destes profissionais às autoescolas.

Ele cita a Lei 12.302 de 2010, que regulamenta o exercício da profissão de Instrutor de Trânsito e fala sobre responsabilidades e necessidade de segurança jurídica, afirmando que este é outro assunto que não pode ser banalizado: “esta relação entre proprietários e instrutores é muito importante, a sinergia entre ambos setores é fundamental”.

Brasília de 10 a 14 de fevereiro

Aos 14 minutos Magnelson comenta sobre as reuniões das Câmaras Temáticas de Esforço Legal e de Habilitação, que aconteceram em 11 e 12 de fevereiro e fala sobre a reunião da feneauto com Frederico de Moura Carneiro, Diretor Geral do DENATRAN.

Magnelson finaliza a entrevista mencionando que há muito trabalho e desafios pela frente, e agradece pelo espaço para falar no Portal do Trânsito.

Ouça aqui:

Conheça os Projetos de Lei:

Coronel Tadeu – PSL/SP

General Peternelli – PSL/SP

Lucas Gonzalez – NOVO/MG

Abou Anni – PSL/SP

Senadora Katia Abreu

Senador Vital do Rêgo

Links:

Feneauto tem jornada de muito trabalho em Brasília!!!

Sala de Visitas com Magnelson em 02/04/2019

6 respostas para “Grande desafio do setor é formar a imagem dos CFCs como entidades de educação”

  1. Em primeiro lugar sou contra o EAD. Precisava que fôssemos uma nação mais civilizada. O instrutor autônomo tb não irá funcionar. O que realmente precisa é fazer valer o que já está implantado. Uma coisa importante, que diminua custos, baixar a carga horária teórica para 30horas, prática para 15h e pronto. Diminuir tb adição dar D de 20 para 12 etc. Analisem. Ficar atento com a ministração das aulas. É pronto. Só alegria!!!

    • sergio disse:

      Maria não sou contra o EAD só porque afeta o nosso setor mas se o individuo reprovar ele teria que ser obrigado a fazer as aulas assistidas nos CFCs que deveriam cobrar um valor maior que os praticados hoje para poder se manter. Hoje o EAD para reciclagem funciona muito bem tanto que o índice de reprovação é de somente 2%, com relação a instrutores autônomos seria um grande problema pois o serviço pulverizado dificulta o controle e a fiscalização mas o que esta em pauta é o fim mesmo das aulas práticas pois o presidente acha que o paí ou pessoa habilitada pode dar aula como nos EUA lembrando que lá o carros são automáticos muito mais simples e menos perigoso que o mecânico exigido aqui nas provas.

  2. Marlei Keller disse:

    Na minha opinião para que seja feito um ótimo trabalho de ensino aprendizagem, instrutor teórico deveria ser um profissional com formação no Magistério ou pedagogia, pq este profissional tem didática e decerimento, para melhor entender o aluno e criar alternativas diversas para o mesmo sair da autoescola um cidadão consciente e responsável pelos seus atos no trânsito.
    Pense nisso…
    Obrigado

    • sergio disse:

      Marlei se fosse assim o ensino do Brasil estaria em um melhor posicionamento no PISA mas estamos em último lugar ou seja estamos muito distante de uma situação educacional desejável tanto nos ensinos escolares como nos CFCs mas com certeza nos CFCs não é o que você coloca pois aqui no nosso CFC o índice de aprovação é de 93% isso porque estamos na periferia que na média é de 60% de aprovação muito abaixo da média do centro ou jardins que fica em 90% de aprovação. Agora você fala uma besteira gigantesca quando coloca que só os professores tem discernimento não é decerimento KKKKK desculpe mas você está parecendo o nosso ministro da educação kkkk

  3. sergio disse:

    Meu comentário é que boa parte dos CFCs são voltadas ao lucro fácil mas existem sim instituições sérias no setor e que o maior dos problemas são as mazelas como o jeitinho brasileiro(corrupção) haja vista o grande numero de empresas abertas para dar aulas para habilitados. No fim o custo para se aprender a dirigir é muito alto mas por culpa do próprio aluno irresponsável que procura facilidades ou seja gasta em torno de R$1.500,00 a 1.800,00 na auto escola, paga o quebra mais R$1.200,00 a R$1.500,00 e depois gasta mais R$2.000,00 em aulas para terminar de aprender a dirigir Total aproximado de R$5.000,00 Não adianta botar culpa no sistema pois o erro do atual é o instrutor não poder impedir o aluno de fazer exame quando não está pronto impulsionando a corrupção etc….

  4. Marcos Roberto Bossolan Alves Coutinho disse:

    Sou instrutor de trânsito e gostaria muito de ver o instrutor ser mais valorizado ou pela auto escola ou trabalhando independente, porque uma auto escola não se mantém sem um instrutor e não o valoriza, uma auto escola cobra em média 50 reais por aula e paga 10 para o instrutor e isso é uma vergonha pq para um instrutor ganhar um salário digno tem que trabalhar em média 10 14h para pode manter sua família, aluguel etc etc e os donos de auto escola sempre chorando dizendo que não tem dinheiro e sempre com carros zeros e o instrutor alguns nem carro próprio tem…

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