Publicado em 15 de agosto, 2019 as 09h16.

Bolsonaro determina suspensão de radares móveis em rodovias federais

Por Mariana Czerwonka.

Radares móveis
Foto: Divulgação PRF.

O Despacho do Presidente da República foi publicado hoje no Diário Oficial da União e suspende o uso de equipamentos medidores de velocidade estáticos, móveis e portáteis pela Polícia Rodoviária Federal até que o Ministério da Infraestrutura conclua a reavaliação da regulamentação dos procedimentos de fiscalização eletrônica de velocidade nas estradas e rodovias federais.

Ainda de acordo com o Despacho, a decisão ocorre para evitar o desvirtuamento do caráter pedagógico e a utilização meramente arrecadatória dos instrumentos e equipamentos medidores de velocidade.

A norma não cita os radares fixos e reacende a polêmica discussão sobre o uso de equipamentos eletrônicos para fiscalização de velocidade.

Para Celso Alves Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal, a medida pode ser desastrosa.

“A intenção de rever os critérios que nortearam a instalação dos atuais radares, é válida, compreensível e justificável. Mas ela deveria ser feita mantendo os equipamentos em funcionamento, até que uma possível realocação, incremento ou diminuição de radares aconteça. Os condutores tendem a ouvir isso como uma liberação dos limites de velocidade. E os perigos do excesso de velocidade estão aí, como um dos mais importantes fatores contribuintes de acidentes, independente de nossos mandos e desmandos no setor. O efeito pode ser, literalmente, desastroso”, justifica.

Excesso de velocidade

Um dos problemas mais graves no trânsito brasileiro é o excesso de velocidade. Essa é a causa de uma em cada três mortes por acidentes de trânsito em todo o mundo.

“A velocidade inadequada reduz o tempo disponível para uma reação eficiente em caso de perigo. Em alta velocidade, muitas vezes não há tempo suficiente para evitar um acidente”, explica Celso Mariano, especialista e diretor do Portal.

Uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) atrela a fiscalização eletrônica à redução de 60% de óbitos e 30% de acidentes no trânsito.

A Organização Mundial de Saúde também recomenda no mundo todo o uso de medidores eletrônicos de velocidade como alternativa para a prevenção de acidentes de trânsito e redução da gravidade, no caso da ocorrência do evento.

9 respostas para “Bolsonaro determina suspensão de radares móveis em rodovias federais”

  1. Alvaro Pedroso disse:

    Com continuava perigoso e os abusos de velocidade so param se o radar apontar e a intervenção no infrator for imediata.sem radar Deus nos proteja ! ! !

  2. Argeu Pusini disse:

    Analisando a fala do Presidente, passo a refletir sobre àqueles meus irmãos da boléia que não obtém em seu veículo um sistema de controle de velocidade. Então passa a agir na emoção aliado a euforia de um retão ou descidão, tragédias poderão ser anunciadas infelizmente. Mas, entendo também que precisa sim avaliar com cautela sobre esses sistemas de radares , vejo em partes uma maneira de arrecadação onde a mesma poderia ser moderada. Vamos aguardar o resultado disso e então fazer uma reflexão sobre.

  3. José Peazeres dos Santos disse:

    A Melhor Notícia !!!

  4. JORGE LUIS CONSMINSKI LUCAS disse:

    Há alguns dias estamos debatendo esse tema em sala de aula. O Governo precisa entender que nas questões de Trânsito não se pode ir na “contra-mão” ou andar de “marcha-ré”. O velho discurso da “indústria da multa” já foi superado e não pode servir de desculpa para agraciar uma parcela infratora da população, que não aceita se submeter à regras que são comuns a todos. Espero que os Órgãos de Trânsito, PRF e Contran possam realizar esse debate com a devida relevância que a fiscalização de trânsito possui e que seja devolvida a sensação de segurança para os “usuários de bem” e punição aqueles que insistem em infringir as regras que visam garantir a mobilidade segura de todos.

  5. George James disse:

    Os radares fixos, cobrindo locais/trechos devidamente sinalizados, realmente cumprem a sua destinação.
    O que se vem discutindo é o posicionamento de equipamentos ocultos, com a evidente intenção de surpreender os motoristas… trechos sem registro de acidentes são momentaneamente cobertos por equipamentos desse tipo, muitas vezes em períodos de poucas horas, caracterizando o caráter de surpresa.
    Esse tipo de comportamento, algo que se pode até intitular “pegadinha”, realmente comprova o conceito da “indústria da multa”.
    Fiscalização eletrônica é assunto sério, que deve ser abordado com as visões técnica e estatística, que vão fundamentar – com base em realidade – a instalação dos equipamentos.

  6. Suelen Rolim disse:

    Onde vamos parar com medidas desse nível do nosso Governo. O motorista brasileiro, nunca foi muito cauteloso acho que isso deve ser levado em consideração. Espero que esta medido não aumente os índices de mortes e acidentes em nossas estradas.

  7. Celso Mariano disse:

    Falei sobre esse assunto em entrevista para Dulcinéia Novaes, no Jornal Hoje: https://globoplay.globo.com/v/7845505/programa/

  8. Celso Mariano disse:

    Participei hoje do Boom Dia Paraná, e comentei sobre a decisão. Veja aqui: https://globoplay.globo.com/v/7847566

  9. Hélio disse:

    Texto do Diretor do Detran/RS Dr, Enio Bacci
    Radares móveis desligados: calamidade à vista
    O primeiro fim de semana com radares móveis desligados nas rodovias federais (17 e 18 de agosto) já deu o tom do futuro que se avizinha. Oito pessoas morreram no RS, maior número de mortes registrado em fins de semana nas estradas federais gaúchas este ano. Falamos aqui não de estatísticas, mas de vidas. De famílias destroçadas.
    Esse incremento de dor e de sofrimento vem na contramão dos aprimoramentos de legislação e dos esforços que as autoridades vêm realizando na última década. O semestre passado foi, em nosso Estado, aquele que teve o menor número de mortes registradas em doze anos. Vamos mesmo retroceder?

    O radar móvel é o único instrumento capaz de coibir sujeitos que insistem em trafegar em velocidades incompatíveis com a vida. Evidentemente que todo método de fiscalização pode e deve ser revisto, mas é intolerável que a desativação dos radares móveis nas rodovias federais prospere.

    Não é uma questão ideológica, nem de politicamente correto ou incorreto: é a calamidade pública desfilando bem diante dos nossos olhos. Tomara que o bom senso ajude a retirar essa obscura viseira que impede alguns de enxergar a realidade.

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