Publicado em 27 de novembro, 2019 as 08h07.

Após sequência de queda, número de acidentes aumenta nas rodovias federais

Por Mariana Czerwonka.

Excesso de velocidade
Foto: Arquivo Tecnodata.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgados pelo jornal Bom Dia Brasil, apontam aumento no número de acidentes em rodovias federais entre agosto e outubro desse ano.

Esse crescimento interrompe uma sequência de quatro anos de queda e, segundo a reportagem, coincide com a suspensão do uso de radares móveis para fiscalização do excesso de velocidade, que foi determinada em 15 de agosto pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro.

As rodovias federais continuam sendo monitoradas por radares fixos.

Segundo os dados da PRF, entre 16 de agosto e 31 de outubro, foram registrados 14.629 acidentes, uma alta de 7,2% sobre o mesmo período de 2018.

Para Celso Alves Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal, o trânsito precisa ser tratado com mais cuidado.

“Num contexto onde a fiscalização é oficialmente demonizada e parte significativa dos usuários do trânsito quer mais é ter menos restrições, as medidas implementadas ou, ainda que apenas propostas, podem ter sido percebidas como uma mensagem de liberou geral. É temeroso simplesmente associar uma coisa à outra, mas é inegável que um assunto sensível como é o funcionamento do trânsito merecia ter tido maior cuidado na comunicação”, diz.

A quantidade de mortos nesse período também aumentou. A reportagem mostra que o número passou de 1.089 para 1.102, um aumento de 1,19%. O volume de feridos também teve alta, de 7,1%, indo de 15.726, em 2018, para 16.843.

As estatísticas mostram também que todos esses índices vinham caindo ano a ano desde 2014, nesse período.

Suspensão de radares móveis

O Despacho do Presidente da República foi publicado no Diário Oficial da União de 15 de agosto e suspendeu o uso de equipamentos medidores de velocidade estáticos, móveis e portáteis pela Polícia Rodoviária Federal até que o Ministério da Infraestrutura conclua a reavaliação da regulamentação dos procedimentos de fiscalização eletrônica de velocidade nas estradas e rodovias federais.

Ainda de acordo com o Despacho, a decisão ocorreu para evitar o desvirtuamento do caráter pedagógico e a utilização meramente arrecadatória dos instrumentos e equipamentos medidores de velocidade.

5 respostas para “Após sequência de queda, número de acidentes aumenta nas rodovias federais”

  1. ligeirinhopr disse:

    Não é os radares que provocam acidentes e sim condutores irresponsáveis, que não respeitam a legislação de transito.
    Precisa o governo criar penalidades mais rigorosas e retirar esses condutores abusados definitivamente de circulação. Só isso.

  2. Bennito disse:

    Ainda propõe armar a população que no trânsito, será mais um “motivo” para matar.

    • Elis disse:

      Arma-se quem quer. Ninguém é obrigado, fi.

      O que nós estamos sujeitos hoje em dia é a sermos abordados sem nenhum direito a autodefesa.
      Não temos sequer a dúvida do bandido para pensar se estamos armados ou não. Porque sem a legalidade do armamento, o delinquente tem a arma, e sabe que a lei o deixa em posição de vantagem sobre o cidadão de bem que, a priori, está indefeso.

  3. Leo disse:

    O uso de radares móveis e portáteis não é disciplinado por critérios técnicos. Escolhe-se um trecho, um horário e se faz a fiscalização, mesmo que o trecho em questão não tenha histórico de acidentes ou riscos identificados.

    Sem contar a legalidade de se usar um equipamento cuja utilização é regulamentada, mas não pode ser fiscalizado pelo povo. Por exemplo: qual a comprovação técnica de que um radar portátil está realmente posicionado de acordo com a regulamentação? O que impede a fé pública de posicionar o radar portátil a 2900 metros da placa R-19 e indicar no auto de infração que ele estava posicionado a cinco metros da R-19?

    A utilização de radares portáteis e móveis é um placebo que finge reduzir o número de mortes enquanto motoristas são flagrados e seguem a viagem em velocidade incompatível. Como um equipamento que não coíbe a velocidade incompatível pode aumentar a segurança? A PRF flagra o sujeito a 200 km/h em um VW Santana 2002, fotografa o radar, posta nas redes sociais, mas não intercepta o sujeito, que segue a viagem a 200 km/h, e segue colocando seu entorno em risco.

    Como isso pode garantir a segurança do trânsito? É um argumento patético.

    E vou além: se a mensagem do presidente pode ser entendida como “liberou geral”, qual a mensagem que o Estado passa concentrando-se tanto na velocidade e automatizando a fiscalização — radares só fiscalizam 3 infrações, correto? A mensagem de que você pode fazer o que quiser, menos dirigir acima da velocidade.

    O resultado: motoristas vendo o Instagram no limite de velocidade. Motoristas fazendo selfies no limite de velocidade. Motoristas ultrapassando em faixa contínua, mas dentro do limite de velocidade. Motoristas com pneus carecas dentro do limite de velocidade. Motoristas embriagados dentro do limite de velocidade.

    E a culpa, claro, é da velocidade.

    Esses argumentos dos “especialistas” em trânsito são vergonhosos. Não é a toa que somos o trânsito mais violento do mundo ocidental. O Brasil é um país em que um pneu de 12 meses no TWI é proibido, mas um pneu de 30 anos com sulcos é liberado. Um país que multa o motorista que teve o farol queimado durante uma viagem, entre duas paradas, mas deixa livre Fernando Carli Filho arrastando um processo por 10 anos.

    Mas claro, a solução são os radares….

    • ViniciusEngSeg disse:

      Léo, voce foi muito feliz no seu comentário. O radar por si só não eleva o nível de segurança da pista. A presença de radares não inibe conduções perigosas. Talvez uma sinalização em trechos perigosos tenha mais eficiência.
      De fato, a velocidade é um fator determinante para a gravidade de um acidente. Mas quem controla a velocidade é o condutor, logo a responsabilidade está nas mãos dos condutores.
      A todo acidente de trânsito podemos associar causas a falhas dos condutores seja, imprudência, negligência ou imperícia.
      Podemos inferir diante desta análise que as intervenções devem ser feitas nos condutores, talvez orientações mais avançadas ou punições mais agressivas àqueles que colocam em risco a vida de terceiros.

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