Publicado em 17 de outubro, 2018 as 15h29.

Como orientar futuros condutores a se tornarem recém-habilitados mais comprometidos com a segurança

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Inexperiência na rua
Foto: Arquivo Tecnodata.

De acordo com estatísticas divulgadas pelo Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) de Minas Gerais, a inexperiência de quem dirige é um importante fator de risco: entre seis grupos classificados de acordo com o tempo de habilitação, acidentados com até cinco anos de carteira lideram, representando quase 30% do total. Os números se referem apenas aos primeiros sete meses deste ano, nos 1.060 quilômetros de rodovias policiadas pelo órgão.

Apesar de ser um número específico de um estado, essa é uma realidade vivenciada na maioria das vias brasileiras. Às vezes por medo, desconhecimento ou até, em alguns casos, autoconfiança, motoristas inexperientes colocam em risco a própria vida e a dos demais usuários do trânsito.

No Brasil, dirigir é como um rito de passagem, onde quem aprende se torna adulto e independente. O problema é que muitos jovens já chegam ao Centro de Formação de Condutores (CFC) achando que “sabem” dirigir e não aceitam o auxílio do instrutor.

A Tecnodata sabe que a responsabilidade, nesse caso, não é apenas do CFC. Se existisse educação para o trânsito de qualidade e levada a sério em todo ensino básico, seriam formados não apenas condutores melhores – independente da idade, mas verdadeiros cidadãos no trânsito, muito mais conscientes dos seus direitos e deveres.

Por fazer apenas de parte de uma pequena etapa na vida do jovem, a missão honrosa do instrutor, nesse curto espaço de tempo, é fazer com que o candidato aprenda a sobreviver à violência protegendo a si, aos seus acompanhantes e demais atores desse imenso cenário denominado trânsito e isso exige muito mais do que algumas poucas horas de ensinamento teórico e outras tantas de direção veicular. O futuro condutor só estará certo dessa responsabilidade com maturidade e experiência.

Para auxiliar o instrutor de trânsito nesse processo, separamos algumas dicas para serem levadas para a sala de aula. Esse conteúdo ajudará o futuro condutor a participar do trânsito com mais segurança.

Prova teórica e prática do Detran

Os exames feitos no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) não podem ser o objetivo final do futuro condutor. Ele não pode aprender apenas para passar na prova, mas sim, para ser um melhor condutor. Tenha sempre em mente essa informação e deixe bem claro para o candidato que o mais importante não é passar na prova, mas sim ser o melhor motorista, ou o mais preparado, que puder.

Nunca dirigir sem habilitação

Mesmo faltando pouco tempo para pegar a PPD e já sabendo um pouco de como funciona o trânsito, dirigir sem habilitação está fora de cogitação. Dirigir nessa condição, além de infração, é crime de trânsito e pode afetar diretamente o processo de habilitação do candidato.  Aconselhe sempre o seu aluno de que infringir essa regra pode trazer sérias consequências para a vida dele. A multa é o menor dos problemas. Uma pesquisa realizada pela Volvo em 2007 intitulada de: “o Jovem e o Trânsito” revelou que 42% dos jovens entre 16 e 25 anos dirigem carros sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), sendo 48% deles de cidades do interior. Além disso, 76% deles dirigem motos sem CNH. Entre os entrevistados, 21% dos jovens já estiveram envolvidos em acidentes de trânsito.

PPD

Ter em mãos a Permissão para Dirigir (PPD) não é um atestado de que o condutor está preparado para enfrentar o trânsito. O recém-habilitado deve ter consciência de seus limites e dificuldades, e aos poucos, com muito cuidado, enfrentar os desafios que surgem no caminho. Trafegar em rodovias, então, deve acontecer aos poucos, pois  é muito diferente do que andar no trânsito urbano. Para adquirir prática, deve-se começar conduzindo em trechos curtos, em estradas e rodovias de baixo fluxo de veículos. Oriente o candidato que ter alguém, com experiência, ao lado nessa fase, é bastante importante e pode fazer a diferença.

Treinamento

Só se adquire prática com treinamento. Não é porque já conseguiu a PPD que o recém-habilitado não pode treinar. Sugira que ele faça isso sempre que possível e em locais com menor fluxo de veículos e pessoas, para que não esteja exposto aos demais condutores que muitas vezes não têm paciência nenhuma com quem tem dificuldades.

Entender como o carro funciona

É imprescindível para o condutor recém-habilitado entender como o carro funciona. Frear bruscamente, acelerar demais, trocar os pedais, virar o volante, todas essas ações tem uma reação e o condutor deve estar preparado para lidar com elas. Para tudo isso é essencial o treinamento e a repetição de movimentos.

Estar disponível

Coloque a autoescola a disposição do futuro condutor. Não se aprende tudo e nem se adquire prática em poucas horas de treinamento. Mesmo depois de habilitado, é possível fazer uma aula ou outra para treinar e adquirir mais confiança.