Publicado em 06 de fevereiro, 2019 as 14h31.

Como será o CFC do futuro?

Por
Futuro das autoescolas
Foto: Can Stock.

O tempo passa e tudo evolui. E o empresário que não quer ficar para trás precisa reagir. Os exemplos de mudanças devastadoras trazidas pela evolução estão aí nas lojas de comércio de rua, nos investidores de linhas telefônicas fixas e nos táxis, só para citar alguns. Mas o “uber das autoescolas” já pode estar sendo gerado ou até já estar crescendo em algum “Vale do Silício”, por aí. Por isso que não dá para subestimar os desafios que nos atropelam todos os dias, e com cada vez mais frequência e intensidade.

O futuro das autoescolas depende muito de como seus proprietários vão lidar com a avalanche de evoluções que chegam sem parar e de todos os lados, exigindo reações rápidas e precisas. Uma autoescola no Brasil é, por definição, uma instituição de ensino delegada pelo DETRAN que tem, basicamente, a missão de formar condutores. Algumas também estão autorizadas a ministrar cursos de Reciclagem para infratores e de Especialização. Portanto, há uma dependência direta do que está na letra da Lei.

Apesar desta limitação do que pode ou não fazer, o universo de um CFC é como o de qualquer outra empresa. E os desafios de todo empresário brasileiro, sabe-se bem, não são poucos. Um texto que tem sido exaustivamente compartilhado nas redes sociais, cuja primeira publicação detectada por nossa produção aponta para o perfil Ranking dos Políticos (Facebook, em 01/03/18), expressa de forma bem humorada estes desafios e tem provocado risos e, possivelmente, algumas lágrimas:

Vaga de empresário:

Carga horária: 12 ou mais horas por dia, sete dias por semana.

Férias: Não

Décimo terceiro: Não

Horas extra: Não

Desculpas*: Não

Auxílio: Nulo

Premissas:

– *O candidato deve usar o próprio dinheiro* para comprar, manter e atualizar equipamentos e afins que utilizará para trabalhar, assim como promover aos demais agregadores;

– *Importante ter habilidades sociais* para lidar com clientes, empregados, fiscais do governo, fornecedores, prestadores de serviços, bancos, sindicatos e outros;

– *Entender os problemas dos outros*, contornar situações atípicas do senso e lógica comum;

– *Conhecimentos necessários*: Direito tributário, direito societário, direito comercial, contabilidade, informática, direito trabalhista, normas técnicas e demais leis que regulam o mercado em que irá atuar, assim como o que não irá;

– *Habilidades mínimas necessárias*: Criatividade, competitividade, pro-atividade, ser flexível, ser bom negociador, ter profundo e pleno conhecimento sobre o mercado, afim de gerar e gerir produtos derivado de mesmo;

– *Essencial*: Saber lidar e atuar (com sabedoria) sob pressão, sempre focado no bem/prol de todos, mesmo que ou quando prejudicado.

– *Imprescindível*: Estar vivo.

– *Salário*: apenas o que conseguir lucrar (se conseguir lucrar).

– *Extras*: Suportar ser considerado por muitos, um mal do país, mesmo quando, sabidamente, pequenos e micros empresários, são responsáveis por mais de 80% dos empregos diretos da Nação.

_ *Crenças* – Acreditar que vai sobreviver a todas as mudanças do mercado, mesmo sem recursos para inovar. Acreditar que conseguirá manter-se mais tempo no mercado, mesmo sem capital de giro e sem crédito no sistema financeiro, sabendo que jamais conseguirá recursos no BNDES ou de qualquer outro banco, que empreste com um juro menor do que é capaz de gerar de lucro em suas empresas.

*Se encontrar alguém com esse perfil, dê muitos abraços nele e os parabéns*. Essa pessoa é responsável por manter o país em pé, e sua resiliência é responsável por manter milhares de portas de pequenos e médios negócios abertos, mesmo quando ele já vem vendendo o seu patrimônio há muito tempo, para continuar honrando os seus compromissos e pagando os seus funcionários.

Certamente que os proprietários dos CFCs se veem nesta descrição. E em acréscimo, o empreendedor do ramo de autoescolas ainda precisa atender uma outra enorme lista de exigências feitas pelos DETRANs: Lei nº 9.503/97, e Resoluções do CONTRAN 168/2004 (e suas alterações), 285/2008 (e suas alterações) e 358/2010 (e suas alterações). Ufa!

Mas ainda não acabou. Tem mais o contexto do momento. Notícias e números de várias fontes têm assustado os proprietários de Centros de Formação de Condutores nos últimos anos, pois apontam para um futuro incerto, em que as pessoas não terão interesse ou necessidade de aprender a dirigir. Neste futuro os jovens optam por uma mobilidade que não dependa deles mesmos saberem conduzir os veículos. O papel de motorista ficaria a cargo de outras pessoas, como no caso do Uber e similares, ou mesmo de softwares que estarão no comando de veículos autônomos.

Os números da decrescente emissão de PPDs dos últimos anos apontam uma tendência para este futuro com cada vez menos clientes para os CFCs:

fonte: DENATRAN

Porém, o proprietário de CFC no Brasil é, antes de tudo, um bravo. E sabe que não existe opção para quem quiser manter-se nesta área de atuação, que não adaptar-se para sobreviver. Há que se enfrentar o que está por vir e o que já está acontecendo. Muitos não perceberam mudanças que já estão em curso.

“Este cenário é mesmo preocupante e pede atenção especial dos empresários do setor, mas não haverá um fim súbito dos CFCs. A autoescola como conhecemos certamente sofrerá mudanças e isso deve se dar em uma transição lenta. O momento exige muita dedicação e profissionalismo dos CFCs, que precisam se fortalecer como empresas de educação”, opina Celso Alves Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito.

Como reagir

Dúvidas e polêmicas sobre novidades recentes como simuladores, ensino a distância (somente para Reciclagem), exame toxicológico (somente para categorias C, D e E) e alterações na legislação (por enquanto: 35 Leis alteraram o CTB e 770 Resoluções foram publicadas, fora um sem número de proposições de alterações através de Projetos de Lei), causam muita apreensão. E ainda há o impacto de assuntos externos ao CFC, como a chegada do disruptivo transporte individual por aplicativos que pode explicar, em parte, o desinteresse dos mais jovens pela CNH.

As reações do setor são as mais diversas, desde a criação de “centrões”, de novas associações de CFCs e de novas parcerias com fornecedores, até a perigosa paralisação “do deixar como está para ver como é que fica”, tão comum no brasileiro. Certamente que otimizar o uso dos recursos é sempre desejável, mas há inúmeras limitações. Desde as exigências de infra-estrutura e restrições impostas pelos DETRANs até dificuldades de relacionamento entre culturas diferentes dos donos dos CFCs que tentar atuar em conjunto.

O fato é que enquanto existirem veículos a serem conduzidos por seres humanos, haverá demanda pela formação de condutores. Mesmo com um crescente desinteresse (leia aqui), este é um mercado muito grande (leia aqui) e, portanto, há espaço para as empresas do setor que estiverem dispostas a acompanhar a evolução. A lista do que é possível fazer é enorme e dá uma boa margem de manobra para os proprietários de CFC dispostos a se manterem ativos. Destacamos aqui algumas delas.

Qualidade no ensino

Um ponto crucial para esta “escola especial” chamada CFC é o seu produto principal, a sua razão de existir: formar condutores por meio de um curso teórico e de um curso prático. Não há inteligência artificial (pelo menos por enquanto) que possa substituir a boa didática de um instrutor bem preparado, atualizado e municiado de recursos didáticos de qualidade. Não há improviso que possa dar melhor resultado do que um bom Plano de Aula, elaborado e ajustado para a realidade de cada turma, de cada aluno, por um Diretor de Ensino competente. Não há PDFs, PPTs, infográficos, áudios ou vídeos coletados ao acaso da internet que possam proporcionar uma trilha de aprendizagem mais eficiente e eficaz do que conteúdos desenvolvidos por especialistas, focados no estudante e com correspondentes recursos de apoio para o instrutor ministrar aquela aula estruturada que seus alunos merecem e pela qual pagaram.

“Subestimar a importância dos recursos didáticos e da infraestrutura, querendo diminuir custos onde não é possível ou inteligente faze-lo, é auto-sabotagem. A economia de alguns centavos no material didático, por exemplo, é completamente insignificante diante daquele descontão que muitos donos de CFC acabam concedendo para não perder o aluno para a concorrência. O real diferencial está no valor dos produtos e serviços, não no seu preço. Se o empresário não consegue dar valor ao que oferece, como esperar que seus potenciais clientes o deem?”, diz Mariano.

Marketing*

Quem traz dinheiro para o seu negócio são os seus clientes. E o que traz clientes para comprarem o que sua empresa tem para vender é o marketing. A palavra ainda pode soar estranha para muitos donos de autoescola. Ela ainda parece significar apenas anúncios nos veículos de comunicação, panfletagem ou investimentos no Google. Marketing é sim, tudo isso. Mas é muito mais. O famoso boca a boca que, sabidamente, neste setor, é o maior gerador de vendas, também é marketing. Atendentes simpáticos, bem informados e dispostos a serem prestativos e agradáveis com os atuais e futuros clientes, também é marketing.

Esta lista abrange desde a sua comunicação externa (como sua empresa aparece nas redes sociais, no Google, em outdoors, em comerciais de rádio, jornal e TV, em panfletos, a fachada do seu estabelecimento, sua logomarca, etc), nas falas das pessoas (todas: ex-alunos e seus aparente e amigos, vizinhos e até na fala de quem só ouviu falar de você), até a sua comunicação interna (o que dizem e pensam mas não dizem, seus colaboradores, alunos e o próprio DETRAN). E mesmo a infra-estrutura do seu CFC, a qualidade do seu material didático, a acessibilidade, o conforto térmico, luminoso e acústico e o “clima” do ambiente na autoescola podem ajudar ou atrapalhar o seu negócio.

*No programa TRANSITARE, a Tecnodata Educacional disponibiliza conteúdo especial com dicas para aumentar vendas no seu CFC.

Manter-se atualizado

Nada pior para um empresário e seu empreendimento do que não saber o que está acontecendo. Manter-se informado e preparado, neste caso, vai desde estar ligado no seu DETRAN e no que vem de Brasília (Congresso Nacional e CONTRAN), até estar atento ao comportamento de seu público-alvo. No Brasil, o www.portaldotransito.com.br cumpre uma importantíssima tarefa para os CFCs, mantendo informação, opinião e análise abalizada sobre o universo das autoescolas.

O medo do futuro

Nós simplesmente não temos como saber exatamente como será a futura autoescola. E tentar adivinhar pode resultar em erros graves e arrependimentos profundos. Mas fazer o básico, o óbvio, e manter-se atento e preparado para enfrentar mudanças, certamente aumentará em muito as chances de sucesso, venha o que vier.

Nossa ansiedade sempre fez dos humanos seres que não conseguem viver adequadamente o momento presente, por estarem ou com a cabeça no futuro, ou com a cabeça no passado. Os empreendedores bem-sucedidos são aqueles que desenvolvem a capacidade de estar conectados o máximo possível no presente sem perder o contato com passado nem com o futuro. Do passado precisamos das lições, da experiência, do aprendizado. Do futuro precisamos captar as tendências entender as certezas e, sobretudo, não se deixar seduzir pela tentação de esperar para ver o que acontece.

Leia também: http://portaldotransito.com.br/noticias/instrutor-e-cfc/abrir-um-cfc-exige-comprometimento-e-investimento-em-qualidade/

Acesse: reciclagem.tecnodataead.com.br