Publicado em 11 de dezembro, 2018 as 15h32.

Vai viajar? “Vá e Volte”

Os riscos na direção veicular são constituídos pelos “atos inseguros” e “condições inseguras”

Por Dirceu Rodrigues Alves.

Cuidados na viagem
Foto: Arquivo Tecnodata.

Risco é tudo aquilo capaz de tirar a atenção, concentração, reduzir os reflexos, como também o não uso dos equipamentos de proteção, a deficiência na manutenção de equipamentos e máquinas, tudo concorrendo para produzir acidente ou doença.

Ato Inseguro – é todo aquele ato produzido pelo indivíduo que pode levá-lo a um acidente ou doença. Citamos exemplos:

  • Esticar-se para mexer no porta-luvas com veículo em movimento;
  • Tirar as mãos do volante;
  • Acender cigarro (Fumar);
  • Usar celular;
  • Colocar cinto de segurança com o veículo em movimento;
  • Uso inadequado da buzina, faróis e pisca-alerta;
  • Direção ofensiva (xingar , gestos obscenos, brigar)

Condição Insegura – é tudo que se encontra no ambiente de operação que poderia levar ao acidente ou doença, são eles:

  • Manutenção precária da máquina, suspensão, amortecedores;
  • Lanternas e faróis não funcionando;
  • Pneus em mau estado, alinhamento, balanceamento e calibragem irregular;
  • Não manter a distância entre veículos;
  • Deixar de sinalizar quando houver enguiço;
  • Deixar de sinalizar quando houver mudança de rumo ou de pista;
  • Falta de apoio para a cabeça;
  • Ruas esburacadas;
  • Falta de sinalização nas vias.
Agora que conhecemos alguns atos e condições inseguras, vamos comentar um por um, começando pelos:

Atos inseguros:

  • Esticar-se para mexer no porta-luvas.

Ato muito comum e que é causa de acidentes. Para fazer tal movimento consumimos em média 4 segundos. A 100 Km/h teremos percorrido nesses 4 segundos aproximadamente 110 metros. Estaremos mantendo apenas a mão esquerda no volante e estaremos com o tronco fletido e sem nenhuma visão frontal e da parte traseira. Estaremos suscetíveis a ocorrência de acidentes.

  • Tirar as mãos do volante.

Um veículo sem balanceamento, alinhamento, com pneus desgastados ou mesmo problema mecânico de rodas não manterá a direção quando tiramos as mãos do volante. E se necessitarmos de uma manobra brusca teremos problema.

  • Acender cigarros e fumar.

São riscos que o fumante não considera, mas acender um cigarro com isqueiro à noite produz, pela claridade, contração das pupilas, reação de ofuscamento que precisamos em média de 3 a 4 segundos para que a pupila volte a posição anterior. A 100 Km/h teríamos tido um deslocamento de aproximadamente 83 a 111 metros e muita coisa poderia acontecer neste trajeto. Com o fósforo o risco é somado a possibilidade de fragmentos de fósforo incandescente saltarem sobre o rosto ou corpo produzindo queimaduras e reação espontânea de auto-proteção, o que poderá ser causa de acidente. Existe ainda o risco da brasa do cigarro com o vento cair sobre o corpo do indivíduo produzindo a mesma reação de autodefesa. Pode ainda a cinza jogada pelo vento cair nos olhos ou sobre o passageiro do banco traseiro.

  • Uso do celular.

Ninguém se sente tranquilo ao escutar o celular tocar, a reação instintiva é levar a mão ao aparelho em qualquer situação. Ao acioná-lo existem expectativas, tensão e com isso desvia-se a atenção totalmente e passa-se a dirigir mecanicamente. Deixamos de mensurar riscos, distâncias e passamos a viver emoções do que é conversado. Seguramos o volante com uma das mãos e não temos como passar a marcha. É um ato de extrema insegurança. Estaremos concentrados no que estaremos ouvindo e falando. Ao adentrar o veículo desligue o celular. Lá estarão gravados os contatos feitos. Na parada veja se é alguma urgência.

  • Colocar o cinto de segurança com o veículo em movimento.

Na afobação para sair com o veículo coloca-se o cinto de segurança com o veículo em movimento, o que vai produzir 3 a 4 segundos de desatenção. Olha o risco aí.

  • Dar a ré sem voltar-se para trás.

Os pontos cegos na direção veicular estão presentes. Usando-se somente os espelhos retrovisores para praticar esta manobra conseguimos delimitar os pontos fixos, não temos medida de profundidade e não visualizamos estruturas em deslocamento como no caso de pedestres, animais, etc. O domínio da manobra torna-se muito mais fácil e mais seguro quando voltamos para trás.

  • Não uso do cinto de segurança.

Este é um equipamento de segurança indispensável, dá ótima proteção quando de três pontos numa desaceleração brusca ou colisão protegendo traumas de quadril (100%), Coluna (60%), face e crânio (56%), tórax (45%) e abdômen (40%).

  • Colocar braço para fora da janela.

Este é um hábito que alguns motoristas possuem. As mãos devem estar permanentemente ligadas ao volante. O cotovelo não deve ser apoiado na janela e tão pouco sinalizar com o braço ou a mão. A sinalização para mudança de direção é luminosa.

  • Uso inadequado da buzina, faróis e pisca-alerta.

A buzina no trânsito é agente de estresse. Farol alto ofusca, leva 3 a 4 segundos para adaptação, o tempo suficiente para o sinistro. O pisca-alerta é um sistema para dar segurança quando temos que parar devido à pane do veículo ou em situações de risco de acidente. Jamais devemos usá-lo com o veículo em movimento.

Condições inseguras

Manutenção precária da máquina, suspensão, amortecedores, freios, etc.

Esta é uma preocupação permanente de quem assume a direção de um veículo. As revisões periódicas e adequações necessárias são prioridades.

  • Lanterna e faróis não funcionam.

No período diurno e noturno o sistema luminoso do veículo tem que estar perfeito. Uma lanterna ou um farol queimado gera situação de risco e consequentemente sinistro.

  • Pneus em mau estado, alinhamento, balanceamento e calibragem irregular.

Nestas condições a frenagem fica prejudicada muitas vezes por falta de aderência. A aquaplanagem, derrapagem e outras situações serão mecanismos desencadeadores de acidentes.

  • Não manter a distância entre veículos.

A importância de manter-se distante do veículo da frente 10 a 20 metros é necessária para que se tenha tempo hábil de se brecar ou fazer manobra abrupta em condições anormais.

  • Não sinalizar para a mudança de rumo ou pista.

É essencial que sinalizemos para avisar que vamos mudar de pista ou virar à direita ou esquerda.

  • Deixar de sinalizar quando houver enguiço.

Ao parar na pista ou no acostamento por uma pane ou acidente devemos proceder a sinalização para segurança de todos. O uso do pisca-alerta, o triângulo à distância de aproximadamente 20 metros para trás do veículo no sentido do fluxo serão elementos importantes na prevenção de sinistro. Pode-se valer também de galhos de árvores e pessoas que possam de maneira segura, usando uma camisa, por exemplo, sinalizar.

  • Falta do apoio para a cabeça.

Na desaceleração brusca é comum ocorrer o “efeito chicote”, que é o movimento brusco da cabeça para frente e em seguida jogada para trás, produzindo lesões na coluna cervical e muitas vezes do canal medular, podendo levar a morte imediata por parada respiratória seguida de parada cardíaca ou levar o indivíduo a ficar tetraplégico.

  • Ruas esburacadas e sem sinalização.

A falta de manutenção e sinalização das vias públicas são condições inseguras que vão gerar sinistros.

  • Falta de manutenção do ar refrigerado.

A manutenção permanente desse equipamento é essencial para prevenção de doenças respiratórias (infecções, alergias, etc.).

  • Em caso de acidente.

Se tiver condição de locomoção deixe o veículo, sinalize vinte metros para trás e para frente se a via é de mão dupla. Veja se existe vítima, tente tranquilizá-la colocá-la em posição de conforto sem mobilizá-la. Entrar em contato com o resgate da rodovia.

Combater ato inseguro e condição insegura constitui atitude essencial na área de segurança veicular e consequentemente na redução dos acidentes de trânsito.

Vá e volte”…