Publicado em 16 de março, 2017 as 17h01.

Um “paraquedista” no ônibus (você acredita?)…

Por ACésar Veiga.

Foto: Freeimages.com
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Existem dois horários mortais para utilizar ônibus em Porto Alegre: um é na hora do almoço e o outro é no fim de tarde. (e tal acontecimento não depende de ponto de vista; é real em qualquer óptica).

Ainda não compreendo se a permissão de colocar este número exagerado de passageiros no mesmo ônibus depende do livre arbítrio do motorista ou é algo que vem de cima. (e não estou mencionando o “céu”).

Mas o entendimento integral é que as regras de aritmética – aquelas que aprendemos na escola -, se aplicadas nos coletivos…bem, elas não correm risco de cometermos qualquer tipo de engano. (temos mais passageiros do que o limite permitido – e tenho dito! Risos)

É similar ao andar sobre navalha, pois o problema da superlotação dos ônibus urbanos é atual – do século 21…porém os gestores públicos, responsáveis por soluções, imitam aqueles do século passado. (sem enfatizar as metodologias e a organização que ainda residem no século 19, época em que os ônibus já existiam no Brasil)

OBS 01: O transporte urbano de Porto Alegre teve uma de suas primeiras iniciativas em 1864.

Aqui ou você pega o ônibus lotado ou não chegará tão cedo ao seu destino. E não acho que você queira ficar ali na parada em busca de um evento poético, pois nestes horários o que menos encontramos é “poesia”. (então quem sabe aceitar, sem maiores problemas de consciência?)

Bem, chegou o seu ônibus…(fique atento, pois os furões de fila estão por toda a parte)

Uma pequena quantidade de generosidade por vezes faz moradia, mas na imensidão deste ritual o que vale mesmo é a regra popular: 

“Cada um por si e Deus por ninguém!”

No entanto, após algumas mexidas, sacudidas, esmagar de pés e roçar sutis de corpos, chega-se a roleta. (neste nicho urbano, por assim dizer a demora – para alguns -, tem um apetite delirante)

Mas vai lá um conselho:

Nesta situação o melhor é transformar o problema logístico em uma vantagem conservacionista…use a paciência e “sorria gentilmente” aos demais.

Mas recuse experimentar a dita “tarefa”, se parecer que não tenha brotado lá do fundo do coraçãozinho. (na prática, aconselharia que você derramasse aquele singelo “sorriso tibetano” aos demais viajantes)

Na situação, a principal virtude é se deslocar entre as filas de passageiros que ficam abarrotando o corredor, sem arrumar alguma hostilidade. (entendeu?)

Encolha seu pneuzinho – domiciliado na barriga -, e sorrindo “amareladamente” vá se infiltrando…se infiltrando e se infiltrando. (como “tatuíra” na areia)

OBS 02: “tatuíra” é uma espécie de crustáceo que habita praias arenosas e que faz escavações na areia.

Mas não se esqueça…se possível seja uma “tatuíra” sorridente.

E se por esta “via crúcis” você encontrar estudantes com aquelas mochilas enormes e cheias – parecendo paraquedas -, não se estresse, pois você é do bem e está curtindo tudo isso numa boa. (sei que pode ser difícil e áspero nas primeiras tentativas, mas depois você vai pegando a prática)

E quando notar que seu ponto de descida está próximo, o conselho é estar perto da campainha. (é neste momento que você aperta o botão ou puxa a cordinha)

Suave ou intensamente? (poderiam perguntar)

– Tudo dependerá do seu grau de paranoia.

Mas como este é o único momento somente seu; desfrute-o. E assim você chega ao seu destino!

A porta se abre e você é expelido como “meleca”…(aquela mesma, similar ao do furúnculo maduro e gorducho)

E aí está você…com saúde, possivelmente inteiro e pronto para outra empreitada destas.

Viu… Não arrancou pedaços! (uuuuaaaahh!)

E amanhã, quando na parada de ônibus você sinalizar, que o motorista prontamente e gentilmente possa outra vez “colher” você.

OBS 03 e última: peço que fique pelo menos contente, pois é o espírito de aventura dando lugar a indignação.