Publicado em 09 de fevereiro, 2018 as 08h29.

Sexo frágil no trânsito, quem será?

Por ACésar Veiga.

Homem e mulher
Foto: pxhere.com

Mas afinal, quem é o “sexo frágil”? (sempre soube que esse título fez, faz e fará citação às mulheres – apesar de discordar dessa afirmação)

Em minha opinião, a palavra “frágil” expressa algo simples de quebrar, fraco, que não tem resistência, acaba facilmente…

E fazendo uso da “filosofia de rua”, arrisco-me dizer que “sexo frágil” pode ser aquela ação cordial – ainda que tensa -, que visita nossa intimidade sem nenhum entusiasmo. (do tipo “cada um por si”)

Mas associar a expressão “sexo frágil” à mulher é um equívoco desconfortável, machista e discriminatório para com todas as mulheres. (então não perambule por aí cometendo este mesmo erro – é ruim -; o salutar seria tentar cometer novos erros!)

Esse jargão já foi título de seriado brasileiro, virou canção, além de fazer parte do roteiro indispensável nas conversas banais, em que dois ou mais “charlatães da verdade” estão reunidos! (um verdadeiro míssil desgovernado a vagar entre os homens)

Apesar de todo tipo de besteiras que continuam sendo publicadas a respeito da fragilidade das mulheres, uma das verdades é que elas vivem mais tempo que os homens, pois os fatores de risco à que estão expostas são menores, independente da faixa etária – uma das poucas exceções é o câncer de mama.

Em casos como consumo de álcool, tabagismo, direção perigosa, tráfico e assassinato, para citar apenas alguns exemplos, o predomínio da fragilidade é dos homens. (vejam que o ciclo da informação está agora se expandindo)

A explicação para definir a espécie feminina como frágil deve ter surgido quando se descobriu que a capacidade física da mulher é, por natureza, inferior a dos homens. (sim, os homens são fisiologicamente mais fortes, mas o que não impede que existam pugilistas femininas, operárias na construção, motoristas de caminhões e de ônibus, bombeiros, policiais, agentes de trânsito, seguranças…)

E você, que está compreensivelmente confiante em alguma outra opinião ingênua sobre a escolha do “sexo frágil”, poderia responder:

– Quem é que carrega os bebês em seus ventres por nove meses, sem contar o fato de ter de suportar as dores dos partos naturais? Hein? (a maioria dos homens não suporta calado uma simples dor de cabeça ou de uma unha que esteja encravada)

Alguns defendem que os “homens”, do chamado sexo forte, morrem bem mais cedo do que as mulheres, pois levam vidas mais atribuladas e cheias de riscos do que elas…(sim, os homens fumam mais, consomem mais drogas, se arriscam mais, apresentam rotinas alimentares e de sono mais irregulares, expõem-se mais e são mais violentos. Querem chamar algum advogado de defesa?)

…outros até acreditam que a mente masculina está mais preparada para enfrentar situações adversas do que a feminina. (Isso não tem fundamento, pois quem suporta as chatices de seus maridos e quase nunca reclama de nada? Quem? Quem? Risos)

Contudo, a estatística pode apresentar algumas surpresas desagradáveis, comprovando com números claros e pesquisa séria que o “homem” é sinônimo de fragilidade, e quando a discussão é sobre sobrevivência, as mulheres, certamente, não são o sexo mais frágil! (tenha consciência de que estes alertas ainda estão bem abaixo do radar para alguns)

Mas como brasas que estão ficando cada vez mais quentes a cada dia, e a despeito da sociedade estar cansada do tsunami de notícias desacertadas, vou refazer – para alguns -, esta pergunta:

– Quem já não deixou uma “casa noturna” após um “binge drinking”?

Alguns sabem, mas a maioria não, que “binge drinking” é um estilo de consumir bebidas alcoólicas – popular em vários países de todo o mundo -, que muitas vezes é feito por jovens frequentadores de “baladas” – os famigerados “baladeiros”. (a quantia consumida corresponde ao menos a quatro doses para mulheres e cinco para homens em um período aproximado de duas horas)

Sabe-se que os riscos pelos quais estão sujeitas as “gurias” e os “guris” quando partem alcoolizados pela cidade são diferenciados…(“eles” – os HOMENS -, frequentemente optam por usar variadas substâncias proibidas e acolher o desejo de conduzir veículos, enquanto que elas, o “sexo frágil” – risos -, prefere continuar bebendo – aumentando a possibilidade de uma perigosa quantidade de etanol no organismo)

Atualmente o estímulo para que o cidadão consuma “bebidas alcoólicas” e “drogas proibidas” é difícil de ser mensurado, pois são inúmeras as variedades de incentivos.

Vejam algumas:

– existe o sistema “open bar”, em que se paga um valor fixo e o consumo de bebida é liberado.

– há o encorajamento indireto através da pressão sonora e do estilo musical – principalmente a música eletrônica e o hip hop -, que influenciam. Quanto mais alto o som ambiente, maior a possibilidade dos “baladeiros” deixarem os estabelecimentos intoxicados.

– alguns donos de casa noturna não intimidam a prática do consumo de “drogas proibidas” e nem incentivam intervenções preventivas pelos responsáveis.

– há o chamado “esquenta” – a tal da “pré balada” -, que é mais comum entre os HOMENS, proporcionando ao usuário chegar à casa noturna com níveis alcoólicos elevados. Aqueles que já chegam ao estabelecimento com sintomas de embriaguez – normalmente  os HOMENS -, habitualmente acabam bebendo mais que outros.

Em síntese, os dados e as evidências apontam para os homens – e não injustamente -, como sendo os mais propensos a cometer imprudências no trânsito, com consequências drásticas, quando estão embriagados.

Deste modo, aqueles que apresentam o hábito de dirigir fora da lei – situação em que a loucura floresce -, dificilmente se dão ao trabalho de ouvir…explorar novos caminhos, fazer novas perguntas, procurar outras formas de proceder, experimentar o ajuizado e participar do socialmente saudável;

Entretanto, não acredite de imediato em tudo, pois uma vez que o falso seja compreendido, não é muito difícil ver o verdadeiro.

A sociedade esta coberta de muita ansiedade e medo gerados em razão das incógnitas e da direção incerta das nossas decisões no cotidiano. Assim, devemos monitorar nossas atitudes para que sejamos um meio eficaz para uma mudança social positiva.

A conscientização é o primeiro passo para criar o tipo de sociedade em que queremos viver;

Então, saiba que você pode criar milagres quando aplica o “bom senso” coletivo. (mudar maus hábitos igualmente é um sinal de sabedoria)

E que assim você possa fazer parte desta combinação harmoniosa – entre os interesses individuais e os sociais -, demolindo os velhos e reverenciados erros.

Que você possa desfrutar deste desafio e, sem demora, torne-se vigilante de si mesmo, para que a “leviandade” não seja sua regra!

Mas e o sexo frágil?

Você ainda tem dúvidas sobre quem deve receber esse título? (espero ter contribuído para a sua conclusão…)

Abraços.

Colaboração e correção de Luciana Farias Pereira.