Publicado em 27 de julho, 2017 as 08h17.

Qual sua OPINIÃO sobre a “LEI SECA”?…

Por ACésar Veiga.

lei seca
Foto: Arquivo Tecnodata.

A “lei seca”, criada nos Estados Unidos e também conhecida como o “nobre experimento ou proibição”, foi uma alcunha popular dada à proibição oficial de fabricação, varejo/comercialização, transporte, importação ou exportação de bebidas alcoólica – contendo etanol -, no período de 1920 e 1933. 

 
No Brasil apesar da utilização deste termo, não existe a “lei seca” propriamente dita, e sim procedimentos legais que visam limitar o consumo de bebidas alcoólicas em determinadas situações ou períodos, ou associar o consumo destas bebidas a atividades específicas, como conduzir veículos – que é nosso tema.
 
A nova “lei seca” estabeleceu limites para o condutor que for pego dirigindo depois de consumir bebidas alcoólicas. (dizem que já provocou mudanças no hábito de alguns “ex-infratores” que preferem agora não inteirar-se dessas infelizes experiências – que é beber e dirigir)
 
OBS 01: atualmente o valor da multa por dirigir com qualquer teor de etanol no organismo – tolerância ZERO -, é de R$2.934,70 e o condutor fica impedido de dirigir por um ano. (é considerada infração gravíssima)
 
Se não falha a eminente memória estamos no 9º ano desde a criação desta lei, e acho o dever de expressar surpresa mesmo diante de certos caminhos coletivos tomados tanto dos órgãos públicos quanto do cidadão…(caminhos estes que inesperadamente tornaram-se intrincados em relação à “lei seca”)
 
Mas com inabalável foco nos acontecimentos permaneço esperançoso quando comento que o proceder do “condutor” discretamente mudou…(alguns dizem que a mudança é minúscula e confortável. O que acham?)
 
O caminho para a solução ainda parece-me longo, mas sou capaz até de dizer que sinto um “comportar-se” diferente…(de maneira “continuada” é preciso reinventar e revigorar essa atitude)
 
Sei que não devo ficar relaxado, nem descuidado, e talvez tenha que tomar uma postura até mais crítica…
 
Tudo isso até que haja uma erradicação da violência no trânsito envolvendo cidadãos que conduzem veículos sob o efeito de bebidas contendo etanol.
 
Apesar das convicções, e de perambular pela diversidade, por vezes fico desencantado com certos condutores que representam querer a catástrofe.

Mas desejo correr o risco, almejando prestar um serviço realmente útil…por isso sinto vontade de dizer que a “lei seca” trata apenas um dos efeitos do problema…(a despeito de alguns sucessos, este é um problema muito maior que imaginamos)
 
Houve “sim” um controle imediatista, mas é hora de fazer um mergulho profundo nesta questão…
 
Como sabemos não há soluções mágicas! (como alguns querem que você pense)
 
Concebemos que é autêntico, e alguns recenseamentos norteiam também, que o índice dos “atos de imprudência” ocasionados pelas pessoas que dirigem sobre o efeito do etanol suavizou. (lendo determinadas informações dou a mão à “palmatória”)
 
Mas são números…(é uma estimativa bem sabemos, mas de certa maneira expressa a realidade de determinada mudança, que seguramente caminha em marcha lente)
 
Hoje em dia sabemos que a causa real do problema é muito maior do que imaginamos…(e esta conclusão é um apelo à razão)
 
Certamente a diversificação dos motivos é para afirmar que a situação não é tão colorida assim.
 
O que eu quero dizer é:
– Que além da falta de fiscalização, da falta de responsabilidade do condutor, o automóvel exerce importância assombrosa na mente das pessoas.
 
Só para começar, vivemos numa sociedade que o automóvel é atributo de “poder”, ”status”, “prestígio”, “independência”, liberdade”, e também “sexual”. (desmistificar essas simbologias é difícil – principalmente na concepção dos jovens)
 
Então, o automóvel sai do conceito de ser apenas o meio de transporte, e vai para o símbolo de “poder”…(e nesse contexto “beber e dirigir” passam a ser o “plus” de conspiração na sopa insana da tolice)
 
A “euforia” ocasionada pelo etanol no organismo do condutor mais a máquina do “posso tudo”…(uma dupla que costuma fechar o coração à razão)
 
Mas será que existe outro desfecho?!
 
Bem, não observo estudos controlados que apoiam as soluções por vezes mencionadas. (faltam mais evidências, estudos e ações – com os responsáveis, na maioria formado por um punhado de homens opiniáticos, teimosos e sem conhecimento)
 
Por vezes chego a conceber que seja possível, que alguns dos motivos destes atos levianos encontrem respaldo na afirmação que a culpa venha da “publicidade” e da “propaganda” – que é rica em falsos valores. (acredito “sim” nestes motivos, e acrescento também que a “falta de educação” da sociedade é outro fator relevante)
 
Vejam que estas variáveis citadas até o momento, cedem nutrientes insalubres…(nutrientes que alimentam e justificam essa situação que é vigorosamente negativa)
  
Por vezes procuramos curar as feridas da modernidade com utopias caducas. (o que precisamos realmente é da troca de valores…)
 
Reforçar que a vida é muito mais importante…

…as pessoas são mais importantes,
 
…a família é mais importante,
 
…o coletivo é muito mais importante.
 
Precisamos também de um exame mais meticuloso quanto à punição aos criminosos de trânsito. (no Brasil, gozamos a cultura da impunidade, ou seja, a possibilidade de resolver amigavelmente todas as questões litigiosas)
 
Dificilmente quem mata no trânsito é punido de maneira exemplar…a lei é branda e os juízes não dão ênfase à legislação existente.(até por que ela é incoerente)
 
E assim, a fagulha que pode ativar a guerra moral parece falhar…
 
E as reincidências – como uma imensa sombra planando na periferia -, não são iluminadas.
 
No que toca ao poder público creio que deveriam investir em campanhas de esclarecimento da população. (não quero dizer que haja um culpado avulso, o que poderia levar a impressão enganosa que os legisladores são os únicos culpados – não é isso!)
 
Deveríamos também exigir uma legislação que obrigasse outros setores a debaterem esse tópico…(debater nas Escolas, Universidades, Comunidades e com os pleiteantes à Carteira Nacional de Habilitação)
 
Somos uma sociedade solitária com o armário cheio de coisas mortas e não realizáveis, oferecendo exclusivamente o espetáculo da “impotência” que no hoje, está transbordante de boas intenções e de sonhos. (em suma, oferecemos um pacto com o “individualismo” para expulsar a “ética”)
 
CONCLUSÃO: ainda prosseguimos com a mente cheia de “atitudes lixo”, e o olhar voltado para dentro de si mesmo!
 
Alguém discorda?

OBS 02: bem, hoje é aquele dia que você pode conseguir melhores notícias sobre mobilidade urbana dirigindo-se a padaria – local onde se esbanja futilidades.
 
 Abraços… Se gostar compartilhe com amigos. 

  • Reinaldo

    Campanhas de conscientização, não resolve mais, temos que mudar o comportamento dos condutores, com mais restrições sérias aos que não cumprem a Lei.
    parabéns pelo questionamento