Publicado em 30 de março, 2017 as 16h37.

Olha o “Agente de Trânsito” escondido (ele pode multar?)

Por ACésar Veiga.

Agente de trânsito escondido
Foto: Divulgação ACésar Veiga – www.perguntadealuno.com.br

O “tio Pépe” – policial na ativa durante a década de 1970 -, conta que anunciava antecipadamente aos “traficantes” quando haveria “diligência” no reduto desses respectivos mercadores. (o “tio” achava injusto apanhar os burgueses safados de surpresa)

Já um professor amigo, nos dias de prova na escola, jamais abraçou o hábito de cuidar da turma utilizando aqueles famosos óculos escuros na fachada. (sempre ficava e ainda fica, bem sentadinho na sua mesa lendo o jornal diário)

Motivo?

– Os alunos devem saber “onde estou” e o que estou “olhando” – diz o mestre. (sabem como é! finalizou)

Outro é meu vizinho, vulgo “Garnizé Chavante”, que tem uma filha de 15 anos…”Licinha”, como é carinhosamente chamada. (o “Garnizé” é considerado um “pai ultramoderno”)

O querido “Chavante” segue a teoria de que o namorado da filha e a “própria” devem namorar dentro de casa. (sair sozinhos para a balada, nem pensar! Sempre afirma!)

“Deixamos os dois sozinhos conversando na sala e vendo televisão” – diz constantemente o pai orgulhoso.

 …e complementou:

– Quando “eu” ou a “Dorotí” – a mãe da rapariga -, por algum contratempo desejamos passar pela sala, a uma certa distância falamos alto ou simulamos uma tosse bem barulhenta.

OBS 01: a “pantufa” é proibida lá em casa – comentou “Dorotí” orgulhosamente ao “Garnizé”.

“Não temos o direito de invadir a privacidade da menina”. (complementa sempre o queridíssimo “Garnizé Chavante”)

Veja que com estes simples e inocentes exemplos do cotidiano, ilustramos o quanto a individualidade das pessoas deve ser respeitada. (a particularidade é sagrada e por motivo algum deve ser desvirginada por quem quer que seja)

Então, perguntam alguns, como o “agente de trânsito” cobiça ficar “não visível” planejando autuar o condutor em excesso de velocidade? (bem sabemos que o equipamento responsável pelo registro da velocidade não erra, mas isso não interessa agora – afirmam.)

Certamente o “tio Pépe”, o “colega professor” e o “Garnizé Chavante” teriam fortíssimos argumentos para derrubar o desmerecedor comportamento social, desse tipo repulsivo de “agente de trânsito” que parece querer somente multar. (poxa vida, quem comanda essa tropa de exterminadores da paz urbana?)

Aqui em Porto Alegre estão indignados…(posso citar o prefeito, a mídia e um número significativo de infratores – desculpem -, cidadãos)

OBS 02: minha opinião é diferente dos “paladinos sociais” anteriormente citados…creio que a sociedade precisa ser vigiada, sempre. (pois somos individualistas)

Diga, com que direito tem o fiscalizador de multar o cidadão em excesso de velocidade desta maneira um tanto dissimulada?(manifestam os anteriormente citados “paladinos sociais”)

Sim, não somos contra a penalização – bem pelo contrário -,mas exigimos tomar conhecimento quando estamos sendo flagrados em “delito” pelos operários desta mafiosa “indústria da multa”. (isto é pronunciado com a voz embargada e com percentual de fúria)

E se tento argumentar o contrário, prontamente ouço de algum “paladino” a resposta:

– Qual o motivo de saber antecipadamente se há possibilidade de receber multa?

Bem, assim como o “traficante de drogas”, o “aluno desleal” e a “filha sem pudor”, este é um direito que também tenho. (mesmo que seja “taxado” de antissocial e de existir na escassez da ética – concluem cheios da razão)

Entendem como são consistentes as alegações?

Um_ _ _ _ _ _ a todos!

OBS 03: deixei o espaço “para completar”, pois desejo avisar antecipadamente que mandarei um abraço.

  • Bruno Moraes

    Ver e ser visto é um princípio da fiscalização de trânsito que não tem como objetivo principal produzir autuações, mas sim evitar o cometimento de infrações. A fiscalização de trânsito deve sempre ser ostensiva em obediência aos princípios da boa administração pública.

  • Vitor Branco

    Se existe sinalização regulamentando a velocidade na via, tanto faz o agente estar visível ou não, afinal, não temos que respeitar a velocidade somente quando estamos sendo vigiados. Isso me faz lembrar da melhor definição da palavra ‘ética’ que eu já vi: “Ética é fazer o que é certo mesmo quando ninguém está olhando.” Só que como bem o texto ressalta: ética é algo em extinção, infelizmente.

  • Dirijapelavida

    Se existisse educação, não precisaria fiscalização, (até rimou), a questão não implica se o fiscalizador esta ou não escondido, vidas estão sendo ceifadas e mutiladas sem pudor nehum e ainda contestamos o ato legal da fiscalização. ATÉ QUANDO?