Publicado em 08 de março, 2017 as 16h26.

O melhor é ser MOTOQUEIRO?…

Por ACésar Veiga.

Foto: Freeimages.com
Foto: Freeimages.com

Ontem na sinaleira, lado a lado, duas motos frearam respeitando o sinal de “pare”.

Uma delas mostrava-se familiar, e apesar de não fazer parte desta “tchurma” concluí que poderia ser uma típica 125 cc -…no entanto a outra, parecendo zombaria, contentou a tão só ofertar seu certificado de existência. (era impossível medir a sua robustez de tão “imensa”)

Tentem idealizar com a própria cobiça encarnada…(aquela “moto gigante” que acredito ser o “desejo” de qualquer motociclista juramentado)

Colossal…canos cromados, pneus disformes e um barulho de gigante adormecido quando “ronca” – mas prestes a acordar. (equivalente a um “puro sangue” negro e indomável)

Fiquei “deliciando” a cena!

O condutor da “pequena moto” ensaiava aquelas aceleradas provocativas – que de modo algum há interpretação do propósito -, enquanto que o condutor da “robusta” curtia um aparente silêncio sepulcral – o de velório.

E eu,

Bem, não havia de fato muita coisa que eu pudesse fazer além de deixar a situação seguir o seu curso. Então, o sinal “verde” querendo de maneira confidencial participar da história, entrou em cena!

O motoqueiro da “minguada”, como a sentir-se virtuoso em honrar a sua “maquininha”, retirou-se aceleradamente em frente,deixando como identificação uma certa fumaceira maligna…(algo parecido com a queima de uma pequena “macega”)

OBS 01: “macega” é um capim alto e seco.

E a “agigantada moto”?

Acredito que o condutor deve ter pensado:

– Chega de miragem, vou encontrar a verdade.

E num piscar de olhos, zarpou como foguete “Apollo”- aqueles da NASA; Agência Espacial Americana. (com firmeza suficiente para ignorar seus ilustres ciumentos e avançar na dianteira)

Sem demora alcançou e ultrapassou aquela bicicleta de motor barulhento, deixando-a a “ver navios”.

Fui contemplando o dueto à distância, a 60 km/h no meu veículo, quando “outra vez” brequei na sinaleira.

Com quem esbarro?

– Isso mesmo; a “motinho”.

Só que agora o seu “condutor” parecia arqueado por terrível golpe sofrido.

Como sei?

– Ora, cabeça e capacete entre as pernas.

E a “motona”?

– Pareceu achar-se com urgência e nunca mais foi vista.

Mas continuei a observar o tristonho condutor da “bicicleta com motor”…(legítimo layout do atleta fadigado que carrega resíduos desagradáveis de frustração)

Deveria estar pensando na “amaldiçoada” e “exuberante” motona. (entendedores do assunto podem discordar, mas penso ser este o pensamento que estava realmente fazendo morada no cérebro daquele intrépido motociclista de moto “júnior”)

Fiquei aborrecido pela cena e divaguei entre meus botões (na realidade zíperes):

– Honestamente, se “mágico” de sucesso me transformasse, transmudaria aquela 125 cc em exuberante “moto”. (com a mesma cor e demais atributos daquela “enorme” que havia visto)

Mas essa diabrura imaginativa deixou-me confuso…E o condutor da “pequenita” moto, estaria preparado para tal metamorfose mecânica?

Li pouco tempo atrás que a habilitação para conduzir motocicletas é única, indiferente da potência da máquina. (desde as minúsculas até as enormes, a categoria da CNH é a mesma)

Acho que você “não” vai gostar de ler isso, mas seja tolerante. (mesmo que isto represente uma farpa em sua mente)

– Como pode a mesma habilitação para veículos tão desiguais?!

E para tornar as coisas piores para você, aqui vai outra…

– Não fará diferença conduzir uma moto 125 cc ou uma 1200 cc? (pelo que entendi a resposta é “não”)

Então para nunca frustrar, passo a acreditar que isso não seja o pior. A “moral” é que se estes modelos de raciocínios adquirirem vida, em breve, a carteira nacional de habilitação – CNH -, também será única para qualquer veículo.

OBS 02: você poderá conduzir tanto automóveis como aqueles caminhões gigantes conhecidos como “cegonhas” – os que transportam automóveis.

E não pensem que estou aproveitando a oportunidade para dar uma de solteiro predatório disposto a acabar com um casamento.(não é isso)

Só gostaria de acreditar, e estou tentado a pensar, que haja uma lógica nisso tudo. Há ?!

Em caso afirmativo, gostaria de ser advertido. (para não ficar como “primata”, pulando por ai de galho em galho com opinião ausente de conhecimento)

Abraços aos motociclistas e “não” motociclistas.