Publicado em 12 de janeiro, 2017 as 08h15.

O desafio do compartilhamento de espaços

Por Cicloiguaçu.

Com o crescimento das cidades ao redor do mundo, o planejamento em transporte cresceu com foco no transporte motorizado e nas estruturas viárias voltadas a essa categoria. Entretanto, o aumento populacional somado a um processo exponencial de urbanização vem mostrando que esse modelo está à beira da saturação.

Enquanto até pouco mais da metade do século passado, de maneira geral, um automóvel servia a uma família, era utilizado de forma mais racional e as crianças iam para escola à pé ou de bicicleta. A partir de meados da década de 50, a evolução dos processos industriais e da economia, transformaram o automóvel em um bem individual, tornando os sistemas existentes, sua ampliação e manutenção praticamente inviáveis.

A solução? Compartilhamento.

Compartilhamento de espaço Nova Zelândia
Estrada na Nova Zelândia (mão inglesa).
Foto: Gheysa Prado

O compartilhamento que se fala aqui, vai muito além do compartilhamento dos automóveis, através de caronas, que poderiam ajudar a reduzir o número de carros na rua, mas mantém a mentalidade de que o carro é a única alternativa possível de locomoção. O foco é o compartilhamento do espaço (foto 1).

O compartilhamento do espaço viário é sinônimo da humanização das cidades, que traz economia para o poder público, uma vez que a estrutura existente passa a ser utilizada de forma mais integrada por diversos modais, eliminando, sempre que possível a necessidade de novas construções, além de trazer mais segurança viária, tendo como consequência a redução de acidentes nas áreas nos quais o compartilhamento é implantado (foto 2).

Compartilhamento de espaços
Foto 2-Espaço compartilhado. Foto: Gheysa Prado

Apesar de previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e já ser realidade em alguns países mundo afora, no Brasil ele ainda é um desafio. Isso acontece pois, de maneira geral, a educação para o trânsito se resume à fase adulta, quando o cidadão após os 18 anos, procura voluntariamente uma autoescola para aprender a dirigir veículos automotores. Essa educação deveria começar ainda na infância, quando normalmente se aprende a atravessar uma rua e a andar de bicicleta, e manter-se contínua. As normas e leis de trânsito tem como objetivo maior a segurança e a preservação de vidas e, como tal, deveriam ser prioridade em qualquer idade.

Nosso desafio, portanto, não é financeiro e não exige a construção de grandes estruturas físicas. É cultural. Nosso desafio é educar para um trânsito mais seguro em todos os espaços e a todas as idades.

Gheysa Prado – Cicloiguaçu