Publicado em 18 de janeiro, 2017 as 15h54.

É possível enganar o bafômetro? (o que você acha?)

Por ACésar Veiga.

etilometro-na-mao_modificadaNas aulas de Química a pergunta que mais ouço com relação ao tema “etanol” é:

– Professor César, tem como enganar o teste do bafômetro?

Observação primeira: o dispositivo que mede a quantidade de etanol – por quem é submetido ao teste -, presente nos alvéolos pulmonares chama-se “etilômetro”.

Observação segunda: já o “bafômetro”, deve medir o mau hálito…(o “bafo” por assim dizer!)

Dizer bafômetro corresponde a falar:

– Não percisa;

– Nóis fumo;

…para citar alguns tropeços selvagens do nosso idioma. (bem sei que a maioria entenderá o que você está querendo dizer, mas certamente o impacto auditivo para aqueles que lhe escutam será tremendo e bulhufas hospitaleiro).

Mas, e a pergunta inicial sobre se existem ou não maneiras de enganar o “etilômetro”…?

– É pouco provável que você alcance êxito, o que levanta diversas questões importantes e delicadas. (defendo que a opinião técnica deve desencorajar as pessoas a tentarem por à prova esta crendice que é uma clássica lenda urbana)

Tem havido muitos relatos equivocados e boa parte desses absurdos já foi exposto e refutado anteriormente.

Mas aqui menciono algumas semeadoras de irresponsabilidades que poderiam – são probabilidades, não certezas -, enganar o equipamento:

1- tomar um pouco de vinagre antes de se submeter ao teste;

2- dissolver um comprimido de permanganato de potássio na boca;

3- mascar chiclete, pois ele entope o canudo no qual o analisado deve soprar;

4- chupar gelo minutos antes do teste;

5- comer muita banana com a bebida alcoólica;

6- antes de se submeter ao teste você deve ficar sentado, ou mesmo acocorado, e respirar bem fundo, e bem rápido várias vezes, durante cerca de 2 minutos;

7- introduzir dois supositórios – no suposto e futuro analisado -, antes de beber. Mas só funciona com o da marca “granado”;

9- praticar exercício físico durante 15 minutos antes do teste até ficar bem ofegante;

8- engolir determinados medicamentos;

…e diversas outras bobagens caducas que não vou expor. (pois poderia despertar a “ira” da honestidade)

Triste, mas o “ato de enganar” continua no sonho de consumo daqueles insanos infratores. (mas como sonhar não é proibido, que para estes a espera nunca acabe…)

Mas voltando a sala de aula…

Alguns tópicos são escorregadios e não tão bem mapeados, por isso exercito este tipo de pergunta provocativa dos alunos evitando o menor vestígio de atividade irresponsável, exercitando a arte de expressar com convencimento e conhecimento um discurso tipo:

– Creiam em mim, e o reino dos céus se abrirá para vocês…(serve para provocar à faxina ética de que tanto precisamos. Também auxilia como analgésico, na esperança de que pretensos cidadãos não venham a cometer tantas asneiras seguidas)

Por instantes vejo nos olhos dos alunos que o esperado desta perigosa pergunta, deveria trazer como resposta um cristalino:

– “Depende pessoal”! (para ter apreciação dos não especialistas)…como não presenteio o “bando educacional” com esta alternativa vocal, a sala de aula é tomada do desencanto.

Tal e qual a frustração ao célebre mandamento cristão de “amar ao próximo como a si mesmo”. (ambas envolvendo recomendação ingênua, fácil de anunciar, mas difícil de executar)

E assim a “desilusão” e o “descrédito” transbordam o ambiente de braços dados com o grupo de principiantes desabando no imenso silêncio.

OBS: mas no final das contas, qual o objetivo de tentar provar que não bebeu, havendo bebido? (ficamos diante de mais problemas do que soluções, pois por mais insensato e improvável que pareça este absurdo, é algo concreto)

Mas o questionamento por parte dos educandos às vezes avança:

– E para aqueles que transitam pelo domínio do “consumo moderado”; terá o professor César uma observação terceira? (sussurra algum valente aluno)

E mais uma vez, sendo impossível adivinhar o motivo da pergunta, mando o revide:

– Sim, tenho!

E acrescentando sabores sutis a esse coquetel de emoções primárias mando o torpedo intelectual ao inimigo:

– Esse consumir moderadamente seria consumir um “dedal”, um “copo” ou uma “jarra cheia” da sua bebida etílica predileta?

OBS: essa e outras perguntas que normalmente residem na cabeça de todo o mundo, a resposta na verdade é muito simples:

– Um copo, um gole, uma gota, uma molécula…se é de etanol, certamente ocasionará mudanças; por vezes até não detectada por aquele que bebe…(mas acredite, a mudança ocorre)

Casos de mortes do trânsito são como fogo na sociedade, cujo combustível são os irresponsáveis, que na sua maioria são agrestes.(e você, é irresponsável e esclarecido?)

Os que bebem e dirigem pertencem a uma organização que é aceita e tolerada pela sociedade, logo não somos tão inocentes assim. (você chama a atenção para quem bebe e vai dirigir? Você recusa pegar “aquela” carona com este tipo de condutor?)

Muitas vezes é necessário tomar uma posição forte para combater esta injusta agressão à sociedade para ao menos assegurar que alguns estragos sociais sejam reduzidos ou disfarçados.

Então fique à vontade e continue bebendo a sua bebida alcoólica…(se assim o desejar)

…mas se for beber, não dirija.

Mesmo que o motivo esteja na busca de chamar a atenção num mundo de diversão sem limite ou talvez até para chocar. Agora se você é dependente desta droga procure os Alcoólicos Anônimos – AA, da sua região. (os cínicos diriam que a maior parte desse comportamento é para relaxar)

Ao tomar bebidas contendo álcool/etanol nunca você estará isento de riscos…(este é um fato que nunca polariza os especialistas)

O que podemos fazer?

Como acabar com estes casos de imprudência antes que eles tenham chance de acabar conosco, e especialmente…acabar com outros? (particularmente acredito que esta última pergunta é a mais incomodativa)

Campanhas educativas, blitz, imagens e vídeos estarrecedores, discussões, debates etc. (elas não podem ser a história toda)

Beber e dirigir, é uma atitude completamente isenta da “razão”, é claro, e esconde vastas profundidades de ignorância.

Acrescente a esse coquetel, a influência da mídia e dos costumes, e teremos uma poderosa mistura pronta para a explosão.

Minha própria concepção – inteiramente livre de tendenciosidades -, com certeza despertará comentários favoráveis…(pois sinto que a sociedade está inquieta e aflita)

A chave para compreender esse dilema e que deveria a princípio impedir de procurar nossos impulsos animalizados, não está em nenhum encantamento produzido por forças sobrenaturais…primeiramente devemos fazer com que o interesse geral passe adiante do interesse particular numa marcha de “adeus” silenciosa e depois, que haja uma surdina nas notas musicais da “falta de harmonia” que vivemos.

Acrescente cuidadosamente a isto uma porção significativa de “ética” e misture tudo com grande “quantidade de informação”…

Pronto, beba tudo e vá dirigir! (teus maus comportamentos certamente já foram dissipados no ar ou derreteram como a neve, sob o sol escaldante do bom senso).

Enxergue que você pode não ter a consciência da imprudência, mas certamente terá culpa nas consequências!

  • Gustavo Woltmann

    É mais fácil obedecer a lei do que tentar burlar as regras. Quem dirige concorda com a lei e com suas punições.

  • Bruno Moraes

    Sério isso?
    Até ler esse besteirol sem tamanho, desculpem a sinceridade, achei que os artigos eram melhor selecionados antes da publicação. Fala sério! Não diz nada de interessante, decepcionante. Ah, e antes que achem que eu sou um dos condutores que bebem moderadamente, podendo estar desapontado com as respostas negativas para as perguntas acerca do etilômetro, saibam todos que eu não faço uso de bebidas alcoólicas. Abraço!