Publicado em 15 de setembro, 2017 as 13h14.

CRIANÇAS na “garupa” das MOTOCICLETAS (você concorda?!)

Por Mariana Czerwonka.

Criança na moto
Foto: Freeimages.com

Antes de qualquer coisa, se você observar bem – e não fique surpreso -, vai testemunhar crianças ainda em completa impotência,
revoando “abraçadas” pelas vias, na garupa das motocicletas.
 
Para ser objetivo, são pequeninos com apenas sete anos! (aparenta que o mundo, infelizmente é “real”)
 
A derradeira ironia desse absurdo informe, é que encontra permissão na “lei”. (vejam o Código de Trânsito Brasileiro; artigo 244, inciso V).
 
Enxergue…são crianças “com” e “a partir” de sete anos, que já podem andar na garupa das motocicletas. (a maioria de buço incipiente)
 
Mas será que desfrutar “liberdade” é fazer tudo que as leis permitem?
 
E assim, minhas perguntas escapam da “razão”, e caem no papel…
 
– O que os elaboradores de tal “aprovação” sabem, o que não sei?
 
– Será que existe algum interesse prático “nisso”? (estarão escolhendo entre segurança e lucro?)
 
– Ou “essa permissão”, será algo com características de irresponsabilidade daqueles que determinam a legalidade, ou a ilegalidade das atitudes no trânsito?
 
São adultos trafegando em motocicletas, com “crianças” na garupa…(e transitam por ai, para qualquer cidadão ver)
 
Locomovem com tal simplicidade, que leva a crer que seja absolutamente um ato inofensivo. (estarei sensível demais?!)
 
E a motocicleta…não será perigosa por si mesma? (confesso que a cena deixa absolutamente atordoado…)
 
Mas não quero desistir de tentar combater tais situações. (sou partidário da ideia que regras existem para serem cumpridas, mas é preciso escolher de modo sensato por “segurança”)
 
Então permitam minha última divagação…
 
E o adulto, aquele que circula nas vias de tráfego com a criança na garupa?
 
– Irresponsável ou descuidado? (ou genuíno cumpridor da “lei”?)
 
Dizem os mais experientes que se cobiçarmos a felicidade, temos que ignorar variadas coisas. (particularmente não concordo…)
 
E ao dizer isso, falo que não desejo ser simplesmente o “público”, a “audiência” ou um “telespectador”…
 
Sou um guerreiro de caneta, papel e teclado…então, vou assumir a responsabilidade pela desconstrução dessa atitude.
 
Como?!
 
– Convocando você a denunciar através da sua repulsa. (para que depois você não subsista debatendo-se feito Judas em sábado de Aleluia)
 
Felizmente há uma luz no final desse túnel escuro e sombrio…
 
Foi aprovado na Câmara dos Deputados um PL nº 6401/09, que prevê alteração da idade mínima de 7 para 11 anos da criança que andar na garupa da motocicleta.
 
Mas a novela ainda não acabou…
 
Esse projeto precisa passar pelo Senado…(quando sairá de lá? infelizmente não sabemos…)
 
…mas enquanto isso, inocentes seguem liberados para serem expostos aos riscos que muitas vezes seus responsáveis não conseguem enxergar…(que pena…)
 
A nós resta aguardar que os próximos capítulos sejam menos tensos e que tenham um final feliz a todos os personagens da novela da vida real.
  
Abraços… 

  • Maria Irene Aguiar

    Vemos tal procedimento com uma frequência irresponsavelmente difundida, e muito mais no interior, onde por vários motivos a fiscalização é insipiente, e sem a recorrência que deveria ter.

  • Camponez Frota

    Concordo com a reflexão supra, referente a legislação que autoriza (não obriga) crianças a partir dos 7 anos andarem de carona em motocicletas. Porém, discordo da colocação da autora do texto quando diz: “E a motocicleta…não será perigosa por si mesma? (confesso que a cena deixa absolutamente atordoado…)”. A demonização pura e simples da motocicleta não é concebível como sendo um veículo perigoso por si mesmo. Os veículos de qualquer modelo, tipo e espécie, finalidade, enquanto não sofrem a interferência do homem, não oferecem nenhum risco somente pela sua natureza. A partir da ação humana sobre essas máquinas é poderíamos afirmar que haveria uma possibilidade de risco, considerando o comportamento adotado por quem as acione ou dirija. Todos os veículo, quando utilizados de forma irresponsável por imperícia, imprudência ou negligência), podem oferecer riscos às pessoas, e não somente a motocicleta como veículo automotor. A forma simplista de entender o perigo da motocicleta, que na verdade deveria ser dito “com a motocicleta”, a nós parece que os demais veículos oferecem riscos menores, ou nenhum, o que não e verdade absoluta. Temos que entender que veículos são máquinas e que todas oferecem riscos, quando mobilizados e potencializando-se com os comportamentos de quem os estão dirigindo ou pilotando. Os veículos em geral e a motocicleta em particular não possuem vida própria, portanto, é necessária a ação humana para ocorrer uma situação de risco para as pessoas.