Publicado em 09 de agosto, 2016 as 15h11.

Celular pra quê? – III

Por Celso Mariano.

mulher no celularUma das infrações mas cometidas no Brasil é o uso de celular por quem está dirigindo. Por quem é caminhante, também. Ops, neste caso não há infração. Talvez devesse: o uso de celulares e smartphones por pedestres figuram como fator de risco cada vez mais presente no histórico de atropelamentos, segundo dados do Comitê de Análise de Acidentes do Programa Vida no Trânsito. E isso sem contar com novidades acachapantes como o tal Pokemon GO, joguinho altamente viciante que incrivelmente põe pedestres, e até condutores, mais ligados nas telinhas do que nas vias por onde circulam. Esta mistura de desrespeito às regras com distrações nunca acaba bem.

Já tratei do tema aqui no Portal em duas publicações (aqui e aqui), mas parece que o assunto não sairá de pauta tão cedo. Em todo mundo há uma preocupação crescente. A NHTSA – Departamento de Trânsito dos Estados Unidos, foi o primeiro órgão de reconhecida competência a realizar pesquisas e divulgar dados sobre o tamanho do problema. Estes estudos apontaram que a possibilidade de ocorrer um acidente aumenta em 400%, quando o condutor utiliza o celular, tornando este ato tanto ou mais perigoso do que dirigir embriagado!

Quem dirige precisa estar atento a muitas situações simultâneas, como a movimentação dos outros veículos, dos pedestres, os comandos dos agentes de trânsito, a troca do sinal no semáforo, etc. Tudo isso demanda muita atenção. E os celulares e smartphones são grandes ladrões de atenção. Não é só o olhar que é desviado do trânsito. O pensamento, o foco e a concentração, também são. Ler e responder uma mensagem de texto, conferir o whatsapp, o instagram, fazer ou receber ligações, tem sido os últimos atos de muitos incautos que engrossam os números da barbárie diária de nossas ruas, avenidas e rodovias.

Dois ou três segundos de distração podem ser suficientes para bater no carro da frente, atropelar alguém, invadir a pista contrária ou colidir frontalmente. Em apenas 5 segundos, a 80 km/h o veículo percorre mais de 100 metros. Alguns estudos recentes estimam que aquela olhadinha básica na timeline do facebook ou na caixa de entrada de email pode demorar mais de 20 segundos! Nem precisa fazer as contas para perceber o quanto isso é perigoso, né?

Por tudo isso é que as restrições de uso estão cada vez mais rigorosas. A partir de novembro, manusear o smartphone enquanto dirige será considerada infração gravíssima aqui no Brasil. Medidas similares estão sendo adotadas no mundo todo. Isso pode ajudar, mas a melhor solução é a conscientização e a educação. Inclusive é muito mais barato fazer isso do que continuarmos jogando dinheiro fora com os gigantescos prejuízos gerados pelos acidentes de trânsito, algo em torno de R$ 40 bi a cada ano.

Quem dirige deve apenas dirigir, atento somente ao trânsito, com as duas mãos no volante e com todos os seus sentidos voltados para a atividade de dirigir. Por isso se recomenda ativar o modo silencioso para não “cair em tentação”. Quem não se garante deveria mesmo é desligar o aparelho, porque até aquela gemidinha, ou a mudança na telinha do aparelho, pode tirar a atenção. Difícil? Sim muitos simplesmente não conseguem. As pessoas estão cada vez mais conectadas no maravilhoso mundo da web, através dos dispositivos móveis. E têm uma enorme dificuldade de se desligar dessa inebriante sensação de “não estar perdendo nada”, se permitindo, temerosamente, continuarem ativamente conectadas enquanto dirigem ou caminham na rua. Mal consideram que têm muito a perder. Inclusive a própria vida, ou a leveza de nunca terem machucado outra pessoa.

Talvez ajude pensar que fazer várias coisas ao mesmo tempo é para poucos. As refinadas habilidades necessárias para e pilotar um avião ou um carro de fórmula 1, possivelmente não estejam no nosso rol de talentos. Conformemo-nos. A maioria de nós mal consegue trocar o CD ou ajustar o som do carro sem sair do nível ideal de atenção para uma condução segura. Esse exercício de humildade pode salvar vidas. Inclusive a nossa.

Tenho falado sobre isso em diversas entrevistas de rádio e TV. Clique nos links abaixo.

Radio Globo Curitiba (aqui):

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