Publicado em 15 de outubro, 2017 as 08h37.

ADIÇÃO do ETANOL na GASOLINA (qual objetivo?!)…

Por ACésar Veiga.

Gasolina
Foto: Freeimages.com

Certos assuntos conservam simpatia em permanecer protegidos com uma espécie de armadura rígida…(e pensando de forma positiva, até que é consentido seguir com essa opção)
 
Reconhecendo que quase a maioria da sociedade não entende determinados temas – como deveriam -, não posso dar-me ao luxo de perder a maior parte dos potenciais leitores – raros bem sei -, sem mostrar-lhes uma rota segura.
 
Na batalha contra a desinformação, vou arriscar um breve relato a respeito desse “intrigante” assunto…(procurando marchar no oposto de algumas histórias de “erros”, lastimavelmente inadequados que circulam pela “internet”)
 
Mas quem sabe, iniciamos a explicar as razões que estão por trás dessas práticas?
 
Está bem?
 
Olhe…devemos iniciar fazendo a pergunta que certamente deixará um agradável e prolongado sabor de “quero mais” em sua mente inquiridora…
 
Qual o MOTIVO da ADIÇÃO do ETANOL à GASOLINA?
 
AS VANTAGENS
 
– O veículo alcança maior potência.

– Aumenta a lubrificação do “sistema de combustível” do veículo.

– Há redução na emissão de poluentes. (esta afirmação baseia-se somente na menor quantidade de “gás carbônico – CO2” expelido para a atmosfera – gás este responsável pelo “aquecimento global”. Para os demais gases poluidores isso não é verdadeiro)
 
Para saber mais sobre o “aquecimento global”:
http://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/geografia/o-que-e-aquecimento-global.htm 

OBS 01: de acordo com o Ministério de Minas e Energia, os resultados dos testes feitos até o momento atual, pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento – Cenpes -, da Petrobras ainda não mostraram problemas técnicos para os veículos que utilizam este percentual de etanol – 27% -, na mistura com a gasolina. (talvez não queiram saber o que há ali e prefiram um otimismo exagerado).
 
MAS EXISTEM DESVANTAGENS?
 
Vamos aos motivos para aqueles que defendem que “sim”:
 
1º) Ocorrerá aumento no consumo do combustível. (o poder calorífico – geração de energia -, do etanol é menor que o da gasolina – uma diferença de 32% para ser mais exato)
 
OBS 02: então o motor precisa de mais quantidade de combustível para fazer seu trabalho, e dessa forma, o dono do carro pagará mais por menos energia.
 
2º) Há liberação de maior quantidade dos compostos nitrogenados que são responsáveis pela “chuva ácida”.
 
Para saber mais sobre “chuva ácida”:
http://www.brasilescola.com/geografia/chuvaacida.htm

OBS 03: também há mais um ponto relevante que fica por conta do aumento da quantidade de “aldeídos” – substância da mesma família do formol -, e do “etanol não queimado” que saem pelo cano de escapamento, e que são prejudiciais à saúde. (testemunhem que aos poucos o garrote da “irresponsabilidade das decisões” vai se apertando)
 
3º) Para evitar problemas mecânicos futuros, os automóveis precisarão ser abastecidos exclusivamente com gasolina “premium”.
(modalidade que não terá a mistura aumentada – pois continua com 25% de etanol anidro)

OBS 04: o problema é que esse tipo de gasolina – a “premium” -, custa mais que a comum; representando um custo significativo a mais para abastecer o automóvel. (mas será que todos terão condição financeira de usar a gasolina “premium” permanentemente?)
 
Mas POR QUE AUMENTAR o PERCENTUAL de ETANOL à GASOLINA?
 
Antes de mais nada, e ao contrário do que todo mundo parece acreditar, as respostas diversificam tal qual “encruzilhada” de muitos caminhos…(então não espere resposta universal para tal pergunta).
 
Mas aqui estão algumas:
 
1ª) O preço…Para segurar a inflação, o governo usa como artifício adiar o aumento da gasolina, porém mesmo com mais etanol adicionado, inevitavelmente a gasolina continua a ficar mais cara. (e a medida igualmente acaba levando o aumento no preço do próprio etanol)
 
OBS 05: em certa medida, é possível então concluir que o mercado é que impõe o aumento da quantidade de adição do etanol na gasolina.
 
2ª) O setor “sucroenergético” – setor relativo à produção de energia a partir da cana-de-açúcar-, que passa por uma das “maiores crises” de sua história.
 
A Petrobras, portanto, beneficia a categoria com um aumento da demanda interna de etanol anidro. (a adição de etanol anidro – também chamado de álcool anidro – à gasolina varia de acordo com a produção dos canaviais e os estoques).
 
OBS 06: A aprovação do aumento da porcentagem do etanol na mistura com a gasolina reduz a necessidade de importação da gasolina pela Petrobras vendida no mercado doméstico abaixo do preço internacional. (importamos gasolina viu?)
  
3ª) Há também a justificativa do ministério das Minas e Energia.
 
Dizem eles:
 
– Esta é uma operação – mencionando à adição do etanol na gasolina -, em que todos ganham:
Ganha o produtor, ganha o mercado, ganha o sistema de abastecimento de energia no Brasil, e ganha também o nosso arranjo produtivo. (e encha-se de paciência nessa terrível e maravilhosa maré de justificativas).
 
4ª) Por “motivos ambientais”.
 
Ao adicionar mais etanol à gasolina, há o aumento no uso de um “combustível renovável” – no caso o etanol -, que é positivo,
pois estes combustíveis ocasionam “menos malefícios” ao homem e ao ambiente. (e com intensa emoção patriótica afirmo que a poluição não é só nociva; ela é impiedosa)
 
OBS 07: os “combustíveis renováveis” – também denominados de “biocombustíveis” -, são combustíveis produzidos com matéria prima de origem biológica.
 
A obtenção dos “biocombustíveis” comumente tem sua origem em vegetais como milho, soja, cana-de-açúcar, mamona, canola, babaçu, cânhamo etc.
 
A vantagem do uso dos “biocombustíveis” é a redução significativa da emissão dos “gases de efeito estufa” quando estes são utilizados como combustíveis, além de que sua extração é proveniente de uma “fonte renovável”.
 
OBS 08: “fonte renovável” é aquela que fornece matéria prima de forma contínua. Á medida que vai sendo consumida, podemos restituí-la em quantidade e qualidade.
 
Exemplo: o etanol é extraído da cana de açúcar. A quantidade “colhida” da cana de açúcar para obtenção do etanol é novamente plantada posteriormente, mantendo sua produção contínua, renovável.
 
Os principais “biocombustíveis” são:
– etanol – produzido a partir da cana-de-açúcar e milho;
– biogás – produzido a partir da biomassa;
– biodiesel – partindo de óleos vegetais, gorduras animais ou produtos residuais, como o óleo de fritura já usado e esgoto.
 
Os biocombustíveis podem ser usados integralmente em veículos ou misturados com combustíveis fósseis – que são aqueles derivados do petróleo, como gasolina e diesel.
  
OBS 09: caso fosse “ACésarVeiga” o ministro das Minas e Energia, essa seria a justificativa – por motivos ambientais -, que gostaria de comunicar a nação como a “única” para o aumento da porcentagem do etanol na gasolina. (até parece que estou a utilizar esta espécie de “pé-de-cabra” para abrir portas no mundo político. Mas não estou… RISOS).
 
5ª) Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA -, e a União da Indústria de cana de açúcar – UNICA -, já emitiram comunicado conjunto ao governo, no qual as entidades manifestaram concordância com a última alteração do teor de etanol da gasolina, mas não justificaram o motivo da concordância. (dando a entender que o “foco” está além do problema).
 
As demais associações dos fabricantes de motociclos e as principais associações envolvidas também já manifestaram a concordância com a adoção destas medidas. (também não justificam, dando a entender que seguiram o conselho de que a melhor maneira de destruir um inimigo é tornando-se seu amigo).
 
Todos os TIPOS de VEÍCULOS PODEM UTILIZAR a atual GASOLINA com 27% DE ETANOL ANIDRO?
 
Para alguns, não é recomendável utilizar esse “blend” – mistura em português -,:
– em veículos a gasolina produzidos antes da década de 1990;
– em veículos com carburador;
– nos primeiros veículos fabricados com injeção eletrônica e,
– nos veículos importados com motor a gasolina.
 
OBS 10: Carros antigos e equipados com carburador são os que sentem mais, pois os velhos motores não conseguem identificar essa mistura (etanol + gasolina) e podem ter alguma perda de desempenho. (nos dias muito frios, o efeito colateral é a dificuldade na partida)
 
OBS 11: Já os carros com motor “flex” não sofreram nenhum impacto – dizem os responsáveis -,…somente provocou o aumento de consumo…(o legítimo “grand finale” do cinismo e da desfaçatez).
 
Mas quando devidamente avaliados por outros, “estes” dizem que a “mistura” não afetará o desempenho nem o consumo, “a ponto de o cliente perceber” é claro! (isto mesmo! Desligaram completamente o senso da moral e da ética).
 
Mas o QUE é o ÁLCOOL “ANIDRO”?
 
O álcool anidro – também chamado de etanol puro ou etanol absoluto-, usado junto com a gasolina, constitui-se de aproximadamente 99,5% de etanol puro e o restante – 0,5% -, de água.
 
OBS 12: a palavra “anidro”, é de origem grega e significa “sem água” – a = não e hidro = água.
 
OBS 13: o álcool “hidratado” é o etanol comum vendido nos postos, usado como combustível nos carros movidos exclusivamente a etanol. (o etanol “hidratado combustível” apresenta em sua composição entre 95% e 96% de etanol, e o restante – aproximadamente 4% -, de água)
 
OBS 14: a diferença entre os dois (etanol hidratado e o etanol anidro) diz respeito à quantidade de água – que é muito corrosiva as peças metálicas -, presente em cada um dos tipos de etanol.
 
POR QUE O ETANOL É TAMBÉM CHAMADO DE “BIOCOMBUSTÍVEL”?
 
Retomando:
 
O “biocombustível” é o combustível obtido da “biomassa”, e a “biomassa” é uma matéria prima renovável 
 
OBS 15:no caso do etanol a “biomassa” é a “cana de açúcar”…
 
OBS 16: a “biomassa” é denominada de “renovável”, pois sempre haverá cana de açúcar – desde que se plante é lógico.
 
OBS 17: os “biocombustíveis” agridem o ambiente menos que os “combustíveis fósseis” – gasolina, diesel, etc -, que são derivados do “petróleo” e que possui suas reservas com os anos contados. (alguns apostam que não teremos mais petróleo disponível em 100 anos)
 
Quer saber mais sobre “combustíveis fósseis”:
http://brasilescola.uol.com.br/quimica/combustiveis-fosseis.htm
 
OBS 18: devido a isso o “pré sal” – que irá extrair petróleo de regiões profundas -, e que apresenta detalhes pouco nítidos e aparente obscuridade, é considerado um absurdo ecológico e econômico mundialmente…
 
Quer saber mais sobre o “pré sal”:
http://www.visaosocioambiental.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=390&Itemid=55
 
http://meioambiente.culturamix.com/gestao-ambiental/vantagens-e-desvantagens-do-petroleo

Quais “TIPOS DE COMBUSTÍVEIS” apresentam ACRÉSCIMO de MAIS ETANOL?
 
Com acordo celebrado entre a UNICA – União da Indústria de cana de açúcar -, e a ANFAVEA  – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores -, a gasolina começou a apresentar 27% de álcool anidro desde 16 de fevereiro 2015.
 
OBS 19😮 curioso que os demais segmentos da sociedade não participam destas decisões. (são situações cheias de tensões que ficam entre o que é revelado e o que é ocultado)
 
Mas continuando…
 
A gasolina premium  – subtende-se também a Podium, da Petrobrás -, apresenta o teor 25% de etanol anidro, pois não foram concluídos testes pela indústria automobilística, da gasolina E27. (E27 = maneira de grafar tecnicamente gasolina com 27% de álcool; “E” é de etanol).
 
Os demais tipos de gasolina: comum , comum aditivada, a Petrobrás Grid e a Shell V-Power Nitro+, apresentam 27% de etanol anidro em sua composição.
 
OBS 20: o porcentual  de 25% de etanol à gasolina, já era o que se chama popularmente de “forçar a barra”, uma vez que todos os motores produzidos são calibrados para gasolina com 22% de álcool (E22). Não havendo capacidade para acertar a mistura ar-combustível como seria necessário, isso se traduz na mistura ficar “pobre”, acarretando redução na potência e possivelmente hesitações quando há aceleração do motor. (traduzindo: a sociedade está servindo de cobaia)
 
Recomendo a leitura:
http://autoentusiastas.com.br/2015/02/esclarecimentos-sobre-o-aumento-da-porcentagem-de-alcool-na-gasolina-para-27/
 
 ADIÇÃO de ETANOL à GASOLINA BRASILEIRA
 
Acompanhe os dados pesquisados da porcentagem de etanol adicionado na gasolina:
5% (1931), 10% (1966), 13% a 22% (1985), 13% (1990), 22% (1944), 24% (1977), 26% (1999), 25% (2010), 20% (2011), 25% (2013) e 27% (2015).
 
OBS 21: os dados mais antigos não são confiáveis, pois o acesso a essas informações trouxe a certeza de que tudo jogava contra o insucesso desta empreitada.
 
A conclusão importante é que a taxa de compressão dos motores não acompanhou de forma fiel essas variações da adição do etanol mais recentes. (e creio que nem as mais antigas)
 
O que nos leva a entender que as mudanças da mistura não visam atender principalmente as características dos veículos…
…tratou-se sim, de um diálogo silencioso entre experiência suspeita e a teoria incompleta, originando um suplício insuportável àqueles preocupados com o “bem social” e a “economia nacional”.
 
ADIÇÃO de ETANOL à GASOLINA em OUTROS PAÍSES
 
Os EUA são hoje o maior produtor de etanol do mundo e isso se deve em grande parte à dimensão do mercado norte-americano de combustíveis.
 
O etanol – que lá é obtido do milho-, ganhou nova vida, e sua produção continua expandindo. (a porcentagem da adição de etanol na gasolina nos EUA fica atualmente nos 10%).
 
O país com maior porcentagem de adição de etanol em combustível do mundo é o Brasil com 27%. (seguido do Paraguai com 24%)
 
Na União Europeia a média é de 5%, na Ásia, África e Oceania o teor não ultrapassa os 10%.
 
Ufa, creio que tenhamos concluído este tema por via de “surras” exclusivamente científicas…(e estou confiante que tentamos com afinco, eliminar as “emoções” a tudo que anteriormente dissemos)
 
Gostaria talvez de ter sido muito menos negativo aqui, mas como sempre anseio pelo autêntico, pelo real, acredito plenamente que o mundo é sagrado e deve ser tratado com respeito e verdade.
 
Sei que devemos fazer todo o possível para expor esses perigos e abusos ao público,
pois é impossível viver em sociedade sem desejar transformá-la para a coletividade.
 
Minha consciência diz que quando temos um cidadão informado e que assumiu responsabilidades, isso torna tudo mais razoável…não que um cidadão informado tolere mais riscos; não é isso.
 
É que ele gentilmente escolhe melhor quais riscos quer tolerar…mas bem sei também que um cidadão informado, que não quer assumir responsabilidades ou explicações sem diálogo, é de praticamente “nenhum valor”.
 
Abraços… 

(REVISADO POR: Luciana Farias Pereira)