Publicado em 19 de maio, 2017 as 15h50.

A praga do trânsito

Por Rodrigo Vargas de Souza.

Praga no trânsito
Foto: Arquivo Tecnodata.

Andava há algum tempo sem escrever, mas essa semana ouvi algo que não pude deixar passar batido.

Trabalho no setor de educação do órgão gestor de trânsito da minha cidade. Nessa semana visitamos uma turma da universidade federal no intuito de convidá-los a participar de um projeto específico para o público universitário.

Minutos antes do início da aula conversávamos com a professora da disciplina esclarecendo dúvidas sobre o projeto e também falando de outros assuntos relacionados ao trânsito. Foi quando, com ar preocupado, ela perguntou: “O que está acontecendo com o trânsito da cidade nesse ano de 2017?!”. Sem entender direito a pergunta, pedi educadamente que fosse mais clara. Ela explicou que estava cada vez mais difícil o trânsito da cidade em função dos congestionamentos.

Bem professora, – respondi- com em torno de 400 novos carros emplacados no estado diariamente isso era de se esperar! E a tendência, se nada a respeito for feito, é piorar…

Para meu espanto, ela seguiu: “tinha que haver uma praga!” (no sentido de diminuir o número de carros nas ruas, creio eu).

Professora… infelizmente já temos uma praga! Mas poucas pessoas sabem da sua existência.

Uma praga que mata mais de 100 pessoas por dia no Brasil. Uma praga que ceifa a vida de mais de 40 mil brasileiros e deixa outras centenas de milhares com sequelas muitas vezes irreversíveis. Uma praga que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), dizima anualmente cerca de 1,3 milhões, ultrapassando o número de homicídios e até mesmo de mortes em guerras. E que, segundo a mesma organização, se até 2030 não for contida, matará mais que o HIV. Uma praga responsável por gastar, em média, 2% do PIB dos países em desenvolvimento. Que no país leva todos os anos dos cofres públicos o equivalente a duas copas do mundo semelhantes a de 2014.

A praga está aí, juntamente com seus números, para quem quiser ver. Mesmo que alguns seguimentos da sociedade pareçam não se preocupar com isso. Em vista disso, fica o questionamento que sempre procuro levar aonde quer que eu vá, com quem quer que eu fale: A quem serve que as pessoas desconheçam esses fatos? Quem se beneficia com a falta de atenção sobre esses números? Até quando fecharemos nossos olhos a isso é esperaremos que uma “praga” faça nossos problemas magicamente desaparecerem?