Publicado em 28 de setembro, 2018 as 15h49.

Carro que muito se ausenta, uma hora deixa de fazer falta

Por Rodrigo Vargas de Souza.

Transporte individual
Foto: Pixabay.com

Quem me conhece ou acompanha meus artigos há mais tempo sabe do significado e da importância que o carro sempre teve na minha vida, assim como conto no artigo NOVA PAIXÃO, por exemplo. Até então, pelo menos…

Já há algum tempo vinha questionando minha real necessidade de possuir um veículo, muito mais pelos custos que um carro suscita que pelos benefícios em tê-lo, assim como, de forma bem humorada, coloco no artigo RECEITA DEFINITIVA PARA EMAGRECER: COMPRE UM CARRO!

No entanto, em todas as palestras e cursos que ministro procuro ressaltar que, devido à cultura “carrocentrista” na qual nossa sociedade está mergulhada, sempre que se pergunta a alguma pessoa a solução para o trânsito da sua cidade a resposta, invariavelmente, terá relação com o transporte motorizado individual, como alargamento de vias, diminuição de semáforos, construção de pontes ou viadutos, etc… ainda que essa pessoa nem mesmo se utilize desse modal de transporte.

Busco sempre levantar essa discussão como forma de problematizar essa cultura vigente do individualismo da nossa sociedade, que, de forma evidente, reflete diretamente no trânsito. A maioria das pessoas, diante na ineficiência do transporte público, não se preocupa em reivindicar junto aos órgãos competentes, exercendo assim sua função de cidadãos, mas sim em adquirirem um carro, que lhe proporcione mais conforto e segurança para enfrentarem as intermináveis horas de engarrafamento (criado por elas mesmas!).

Mas e quando a situação é inversa? É no mínimo incoerente eu pregar cidadania e coletividade através do uso do transporte público e meio alternativos de transporte durante uma palestra ou um curso e sair do mesmo dirigindo meu próprio automóvel. Por isso, há pouco tempo tomei uma decisão que me pareceu ser a mais sensata para alguém que trabalha por uma melhor mobilidade em sua cidade e entrei para um pequeno, porém crescente, grupo de cidadãos que, por pura opção, deixa de utilizar o carro.

Mas quando eu me refiro a deixar de usá-lo não quero simplesmente dizer que vou deixá-lo guardado na garagem e passar a usar o transporte público, a bicicleta ou caminhar. Tomei coragem e vendi logo de uma vez! Se é para deixar de ter os benefícios que um veículo proporciona, que se deixe também de ter o ônus, como prestação, estacionamento, seguro, IPVA, licenciamento, manutenção, etc…

“Nós somos o trânsito” não pode ser apenas um jargão usado em campanhas publicitárias, em camisetas distribuídas em determinado mês ou em rodapés de slides em palestras. Mas passar efetivamente a fazer parte de nossas vidas. E, para não me alongar muito mais, como comecei o texto usando logo no título uma alusão a um ditado popular, nada mais justo que também terminá-lo assim:

A VIDA É UM ECO. SE VOCÊ NÃO ESTÁ GOSTANDO DO QUE ESTÁ RECEBENDO, OBSERVE O QUE ESTÁ EMITINDO.

Tem interesse pelo assunto? Gostaria de ler mais textos como esse? Então acesse o meu e-book.