Publicado em 19 de agosto, 2016 as 07h54.

Segunda etapa do processo de habilitação

Por Anna Maria Garcia Prediger.

sala de aula_quadroDe acordo com o CTB, o candidato precisa fazer 45 horas aulas, sendo 18 aulas sobre legislação, 16 horas sobre direção defensiva, 4 horas sobre primeiros socorros, 4 horas sobre meio ambiente e cidadania, e 3 horas sobre mecânica básica. Para que o candidato possa realizar o exame, precisa cumprir este mínimo em cada um, não sendo suficiente fazer 45 horas aulas somente de legislação, por exemplo. Até aqui, está certíssimo, e devemos lembrar, que na maioria dos Estados, como aqui no Paraná, a presença do candidato é realizada pela biometria (digital), para evitar ou dificultar possíveis fraudes.

Os Centros de Formação de Condutores (CFCs), de acordo com a Resolução 358/10, precisam de instrutores teóricos e práticos, tendo que apresentar pelo menos 60% de aprovação em seus exames, para conseguir renovar anualmente suas credenciais de funcionamento.

Acho correto e justo ser exigido uma aprovação mínima de 60%, porém, a resolução e os órgãos executivos não tornam fácil essa aprovação. Para finalizar a carga horária exigida, o candidato não precisa realizar o conteúdo de forma completa. Ou seja, para o candidato finalizar um módulo, se ele faltar nas aulas 7, 8 e 9 do primeiro módulo, não é exigido que realize estas aulas, somente que realize aulas do módulo, podendo realizar novamente as aulas 1, 2 e 3 para cumprir a carga horária, mas a pergunta é: Ele estará preparado para o trânsito? Pode até passar na prova teórica, mas e na vida de condutor? Será que essas aulas não farão diferença na vida dele como condutor? E isso segue para as demais matérias. Qual é a eficácia em realizar as mesmas aulas várias vezes, para a formação do futuro condutor?

Outra falha deste processo, é que assim que o candidato tiver finalizado as 45 horas exigidas, já poderá marcar a prova teórica. É exigido que o CFC tenha 60% de aprovação, mas caso o candidato não tenha possibilidade de passar no exame teórico, eu como instrutora teórica, não posso impedir este candidato de realizar o exame, mesmo sabendo que ele irá contribuir para reduzir este índice de aprovação, que será exigido para continuar com a minha profissão, e para que o CFC continue em funcionamento. Já tive casos de não liberar o aluno pois não tinha condições de passar, e ligarem do Detran para o CFC exigindo a liberação do mesmo, e veio a confirmação, com a reprovação do candidato.

O exame teórico/técnico é realizado para que o candidato mostre que conhece, ao menos na teoria, as leis de trânsito, preceitos de direção defensiva, envolvendo todos os outros módulos. Sendo assim, para que isso seja mensurado, as questões deveriam ser de situações mais práticas. Diante de uma placa A-42a, o candidato deve saber que a resposta será início de pista dupla (nome da placa), ou que a placa indica que a pista de mão dupla, passará a ser separada por um canteiro centrar (significado da placa)? a prova exige que o candidato saiba o nome, isso mesmo, o nome, da placa.

Uma outra situação, é que o que pede no exame teórico, segundo a regra de preferência do artigo 29, intercessões onde não houver sinalização, a preferência é: a) de quem está na rodovia; b) quem está circulando na rotatória; c) quem se aproxima pela direita do condutor. Ok, se isso ocorrer em uma intercessão em T, a regra continua sendo essa, na teoria. Porém, na prática, se o candidato não der a preferência a quem vai reto, ele será reprovado. Resumindo, como instrutora teórica, tenho que ensinar aos meus alunos, em 45 horas aulas, somente, o que eles tem que responder na prova teórica, e o que eles tem que fazer na vida real.

O candidato a habilitação deveria ser ensinado a respeitar às leis de trânsito por que elas são feitas para a proteção da vida e dignidade humana, e o direito de ir e vir em segurança de todos, por isso, o candidato não deveria ser obrigado a saber para que serve o CONTRAN, ou o tipo de infração que comete quando dirige sob efeito de álcool, ele não está estudando para ser agente de trânsito, e a resposta deveria mostrar as questões do risco que isso gera.

Temos um longo percurso para alcançar os objetivos para reduzir o número de acidentes, e muito precisa ser revisto neste processo, certamente, deveriam ser consultados profissionais da área, para realizar um estudo sobre o que iria realmente ajudar nesta formação. Temos muita luta pela frente, mas não perco a esperança, e sigo fazendo o meu trabalho, assim como muitos colegas, que vestem a camisa e fazem de tudo para passar informações importantes para a formação de seus alunos, para que juntos, possamos fazer um trânsito melhor onde moramos.

  • Lelepalestra

    Em primeiro lugar todo mundo sabe que o que deve-se mudar é a forma de educar! e quando eu falo em educar não se limita ao cfc-A ou cfc-B e sim de um modo geral, educação que vem de berço, educação nas escolas sejam públicas ou particulares, educação que parte do governo (campanhas etc…) enquanto isso não mudar querer colocar o peso nas costas dos cfc´s é covardia! Temos os cfc´s bons e os ruins como em qq ramo e lugar do mundo, mas não se reeduca um “marmanjo” depois que ja foi “educado” da forma errada! Ou melhor, essa tarefa até é possível se tivéssemos um país onde se dessem a atenção devida a educação em todos os sentidos que citei no inicio! Depois disso vem a fiscalização, em um país onde a maioria não respeita o próximo por não terem tido a educação devida fazemos o que? FISCALIZEM! Mas o que se ve nas ruas é um monte de carro estacionado na contra mão, em cima de faixa de pedestres, em esquinas, vaga de deficientes e idosos, ng da seta! não respeitam preferencias, velocidade, etc etc etc…Fazem e fazem de novo pq não existe a fiscalização devida! Mesmo com tudo isso, as pessoas que criam regras para a obtenção da cnh parecem não estarem de fato preocupadas na formação de um bom motorista e sim em agradar “gregos e troianos” é a famosa politicagem brasileira! O cfc-a em sua maioria só passa filminhos de pessoas sangrando e decapitadas por acidentes e passam em sala de aula tudo o que ja esta escrito e mastigado em uma apostila, então pra que serve essas escolas se qq cidadão pode ler essa apostila e ver o video q quiser na net? Temos cursos universitarios online mas não tem cfc-a!! (sic) Na parte pratica OBRIGA-SE que todas as pessoas façam um minimo de aulas, sendo que cada um é cada um rsrs, eu posso precisar de 5 aulas e fulano de 50! Deveria ser exigido mais nos exames práticos, pq se esses fossem mais rigorosos garanto que qualquer pessoa faria mais aulas pra se prepararem melhor! A mas aí falta funcionario para os exames que seriam mais longos etc…sempre tem uma desculpa que caí no governo pela falta de investimento em algum lugar! Mas certas coisas é mais falta de vontade de fazer o certo pq tem que agradar alguem do que qq outro motivo! resumindo, esse é o brasilzão e pra mudar demora viu…mas se todos que pudessem ajudar na melhoria começassem a faze-lo uma hr da certo. abraços.