Publicado em 05 de novembro, 2017 as 08h34.

Eureka: da teoria à concepção de um produto que ganha o mercado

Inovação é um processo lento e geralmente fruto do compartilhamento de informações entre várias pessoas, além de aspectos mercadológicos

Por Assessoria de Imprensa.

Giovana Chiquim 

Assessoria de Imprensa

Evasão de pedágio
One Cam, inovação tecnológica para reduzir evasões de pedágio. Foto: Divulgação Perkons.

Em um mundo cada vez mais competitivo, inovar é palavra de ordem. Criatividade e pensar “fora da caixa” são, hoje e mais do que nunca, diferenciais para o sucesso de indivíduos e organizações. Mas, como fazer para colocar boas ideias em prática e de forma eficiente? Steven Johnson – um dos maiores pensadores da cultura digital – mostra, em vídeo no YouTube,  que o caminho para se chegar ao momento “Eureka!” é longo e tortuoso. Ele afirma que ideias revolucionárias levam 15, até 20 anos para tomar uma forma concreta, e são resultados de “palpites lentos”, que geralmente estão dormentes, hibernados, na cabeça de mais de uma pessoa.

Na Perkons, empresa especializada em gestão de trânsito e que inventou a lombada eletrônica no ano de 1992, acontece assim. Os projetos considerados mais inovadores são fruto de uma conjunção de ideias e de pessoas. De acordo com Adriel Silva, gerente de desenvolvimento da empresa, a concepção de novos produtos, principalmente daqueles mais revolucionários, também levam um tempo de encubação e precisam “colidir com palpites” de uma equipe multidisciplinar de 31 colaboradores – mestres, engenheiros, analistas e técnicos das áreas de eletrônica, mecânica e informática. “São encadeamentos de ideias menores que formam uma grande ideia “Eureka”, e um ambiente que favoreça o partilhar é fundamental para termos projetos inovadores. Além disso, acreditamos que esse compartilhamento deve extrapolar as barreiras da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e da própria empresa, buscando uma aproximação com os clientes”, conta Silva.

Conforme ele, a concepção de novos produtos passa por um levantamento mercadológico, que se inicia, muitas vezes, em feiras, seminários e congressos. “Tais eventos nos permitem conhecer o “Estado da Arte” do ponto de vista tecnológico. Conciliamos então essas inspirações tecnológicas a informações de mercado, por meio de pesquisas e até mesmo conversas informais com nossos clientes, para buscarmos na fonte as necessidades. É assim que nos deparamos com pequenas ideias ou carências, que não obrigatoriamente têm potencial para gerar um novo produto naquele momento, mas que são essenciais no processo. E é também essa aproximação com variados públicos e partes interessadas que contribui para, depois, fornecermos produtos que resolvam problemas até então sem solução”, revela Adriel.

Medidas de caráter legal e mandatório também estimulam a concepção de novos produtos. “Temos, como exemplo, a portaria 544 do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Ela prevê que todos os modelos de equipamento de fiscalização eletrônica de velocidade devem se adequar a um novo regulamento técnico metrológico. Com isso, os equipamentos utilizados atualmente só poderão ser instalados até 12 de fevereiro de 2018. Desta forma, uma nova família de equipamentos teve de ser desenvolvida e aprovada de acordo com os novos requisitos do Inmetro, para garantir a continuidade do negócio”, conta Silva.

Inovação que ajuda no cumprimento da legislação

Recentemente, um dos produtos mais inovadores desenvolvido pela Perkons foi a OneCam –  tecnologia que monitora as passagens dos veículos nos pedágios, detectando e registrando a imagem dos não autorizados – , dos “furões”. A evasão de pedágio é uma infração de natureza grave, sujeita à multa de R$ 195,23 e cinco pontos na carteira. A penalidade consta no artigo 209 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), mas, mesmo assim, sua ocorrência é frequente. De acordo com o Departamento de Estradas e Rodagens (DER), foram quase 136 mil autuações desse tipo de janeiro a agosto deste ano, apenas em sete rodovias que cortam a Região Metropolitana do Estado de São Paulo – uma média de 17 mil multas por mês.  A solução para reduzir o número de “furões” está, mais uma vez, no compartilhamento, só que dessa vez, de informações da concessionária, que dispõe de dados fundamentais, como quais veículos pagaram ou não a tarifa. “Esse trabalho em conjunto aumenta a precisão na identificação de cada penalidade. Há o caso, por exemplo, do motorista que usa o recurso pré-pago e, por alguma razão, seu saldo positivo não estar atualizado no sistema e esse acusar o não pagamento do pedágio. Essas eventualidades consistem apenas em violação, não em evasão”, explica o gerente.

Outra vantagem oferecida pelo equipamento é a redução dos custos, pois ele dispensa o uso do computador ou de uma segunda câmera. Isso ocorre porque a  OneCam acessa a base de dados mantida pela concessionária, o que permite a leitura das placas de maneira independente do sistema OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres). A automatização diferenciada do sistema também está presente na fase final da autuação, quando ela passa pela validação de autoridades para só então ser enviada ao condutor. Acontece assim: a Perkons remete os dados já verificados ao órgão, que o valida, identificando os casos de clone de veículos, por exemplo. As mudanças promovidas pela OneCam, na opinião de Silva, estão alterando o comportamento dos infratores. “A partir do momento em que o motorista percebe que é penalizado, ele tende a mudar de conduta. Por isso esperamos uma queda drástica no número de evasões com o sistema”, conclui.

A OneCam foi homologada pelo Inmetro em maio de 2016. As primeiras instalações, realizadas em caráter demonstrativo, foram feitas no mesmo ano, em concessionárias do Paraná e Minas Gerais. A primeira contratação do equipamento foi efetivada em agosto desse ano, com a concessionária Tamoios, no estado de São Paulo, onde o sistema foi instalado em 12 pistas de cobrança automática.

As informações são da Assessoria de Imprensa