Publicado em 07 de dezembro, 2016 as 08h39.

Especialistas consideram tecnologia um elemento transformador no trânsito

Bem aplicadas, inovações tecnológicas reforçam papel da fiscalização na segurança do usuário

Por Mariana Czerwonka.

Tecnologia no trânsito
Painel solar de um dos dois pardais de Caxias do Sul, na rodovia RS-122 (km 67,8). Foto: Divulgação.

Com o aumento no volume da frota, o tempo gasto no trânsito tende a aumentar. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), reunidos pelo Observatório das Metrópoles, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, na última década, a ampliação do número de veículos foi onze vezes maior que o aumento da população. De 2001 a 2012, a frota brasileira passou de 24 milhões, para 50 milhões de veículos. Diante disso, são necessárias iniciativas tecnológicas para tornar os trajetos mais seguros para os usuários.

Conforme o especialista em políticas públicas de transporte e professor da Universidade Estácio de Sá, de Brasília, Artur Morais, três pilares determinam a segurança no trânsito: educação, engenharia e fiscalização. “Se os condutores não forem educados para controlar a velocidade, deve existir ainda mais investimento em fiscalização. Uma pesquisa britânica aponta que 95% das infrações são conscientes, o que significa que a maioria dos acidentes é reflexo da má formação de condutores como cidadãos”, afirma.

Para Morais, a formação tardia dos cidadãos como usuários do trânsito é um dos entraves para deslocamentos seguros, o que reforça a importância da fiscalização. “O primeiro contato do brasileiro com a legislação de trânsito é somente aos 18 anos, quando pode obter a CNH. Muito antes disso, porém, ele participa do trânsito, como pedestre, usuário dos transportes coletivos, ciclista”, avalia. Neste contexto, ele sugere a adoção de algumas iniciativas tecnológicas, como a dos bafômetros em pedágios – inspirada no projeto da Suécia – e do controle da velocidade média, que daria um retrato mais amplo da velocidade adotada pelo condutor. “Estas inovações são essenciais para reforçar o papel dos equipamentos de fiscalização, que é de proteger os usuários”, esclarece.

Para a professora Natália Gonçalves, doutora em planejamento de transportes e desenvolvimento urbano, as aplicações da tecnologia em favor da segurança no trânsito extrapolam a esfera da fiscalização.

“Hoje, as cidades podem contar com a tecnologia nas centrais de monitoramento de tráfego, nas possibilidades de sinalização das vias e para educação de trânsito”, elenca.

Para ela, contudo, ainda há no Brasil um longo caminho a ser percorrido para que estas soluções promovam um trânsito mais eficiente. “Os municípios brasileiros ainda enfrentam dificuldade em desenvolver projetos compatíveis às suas realidades específicas e em manter pessoal capacitado para operação e planejamento”, diagnostica.

“Se superados estes desafios, a tecnologia é uma aliada poderosa na formação de condutores. O uso de simulador veicular, por exemplo, é uma tecnologia recente e inovadora que ajuda o condutor a entender as possíveis reações diante de alguns eventos no trânsito, além de trazer mais conforto e confiança na direção”, exemplifica.

Radar que opera com energia solar: tecnologia aliando segurança e sustentabilidade

Tornar o trânsito mais seguro e, ainda, não causar danos ao meio ambiente. Além de possível, esse cenário já é uma realidade com os radares que funcionam à energia solar. A Perkons – especializada em gestão de trânsito – possui este tipo de equipamento instalado no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul. O gerente de Desenvolvimento da empresa, Adriel Silva, explica que a manutenção é simples, pois basicamente é necessário trocar as baterias, em média, a cada dois anos. Outro cuidado necessário é a limpeza regular dos painéis, especialmente em locais com muita poeira ou fuligem. “Além de se tratar de uma energia limpa, a fonte de energia solar possibilita instalar os radares em locais até então inviáveis, devido a inexistência de rede elétrica convencional”, explica.

O mesmo equipamento pode estar conectado tanto a um sistema de energia solar quanto à rede elétrica convencional; não existe diferença de funcionamento entre as duas opções. Porém, o custo dos sistemas à energia solar no Brasil ainda é alto, se comparado com a energia fornecida através da rede elétrica. Desta forma, a solução solar é utilizada predominantemente onde não existe rede elétrica convencional.

No Rio Grande do Sul são cinco equipamentos que operam com energia solar para o DAER-RS (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem), sendo três nas rodovias de Caxias do Sul, um em São Francisco de Paula, e outro no município de Carlos Barbosa. De acordo com o especialista rodoviário do órgão, Carlos Eduardo Finger da Silva, os equipamentos que operam por energia solar proporcionam o mesmo nível de satisfação do modelo conectado à rede tradicional.

Com informações da Assessoria de Imprensa

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