Publicado em 30 de maio, 2018 as 15h42.

Retornando ao CFC

Por Eliane Pietsak.

Mudança de categoria de habilitação
Foto: Arquivo Tecnodata.

Depois de 30 anos habilitada, me vi na condição de aluna de CFC novamente. Decidi fazer uma alteração de Categoria.  Lá fui eu no primeiro dia, tremendo de medo daquele “enorme” micro-ônibus.

Depois das orientações iniciais e ensaio em troca de marchas, explicações a respeito do painel e todos os detalhes que me deram a nítida impressão que a Instrutora falava em grego e uma vontade enorme de sair correndo. Pensei logo: o que eu estava pensando quando decidi fazer isso!!! Aí vem a pior parte: vamos para rua! Sério isso? Tem certeza que vai se arriscar na rua comigo guiando esse veículo gigante? E não é que fomos! E o mais incrível é que deu tudo certo!

Parte porque sou uma motorista cuidadosa e a maior parte pela segurança, calma, tranquilidade que a Instrutora transmitiu. Senti que eu era perfeitamente capaz.

Contei tudo isso para embasar o que vou escrever agora: todos nós deveríamos passar pela experiência de ter um Instrutor prático ao nosso lado em algum momento da vida! Todos! Embora sendo uma boa motorista, com apenas 3 anotações em meu prontuário nesses 30 anos de habilitação, descobri que tenho muito a aprender, muitos erros a corrigir. Muitos dos quais podem fazer a diferença em me envolver ou não em acidentes.

A Resolução 726/2018 previa aulas práticas para renovação da CNH. Naquele momento fui contra. A partir desta experiência que tive com aulas práticas no CFC estou repensando. É certo que meu caso é diferente pois envolve alteração de categoria, para isso precisando dirigir um veículo completamente diferente do que faço em meu dia a dia, mas, muitas das dicas e orientações que a Instrutora repassou ao longo das 20 horas/aula exigidas, foram extremamente valiosas para mudar meu comportamento e corrigir erros que eu cometia.

Seria suficiente ter aulas práticas a cada 5 ou 3 anos, quando da renovação da habilitação para mudar ou melhorar nosso comportamento no trânsito? Não se pode afirmar com certeza. Seria essa a solução para redução dos acidentes de trânsito? Não podemos afirmar também que seria suficiente.

Hoje, porém, acredito que alguma mudança essas aulas iriam promover.

Os Instrutores teóricos têm muito a oferecer aos alunos em termos de conteúdo que é extremamente importante e vai fazer muita diferença nas aulas práticas. Instrutor Teórico tem que fazer malabarismo para manter os alunos interessados. Tenho muito respeito pelo trabalho destes profissionais

Agora, Instrutor Prático precisa ter nervos de aço! No meu caso, lembro da Instrutora parecendo o Buda sentada ao meu lado, na maior tranquilidade do mundo apreciando a paisagem. E eu? Bem, eu nem olhava para o lado de tanto medo!

Como profissionais da área, estamos sempre em busca de soluções para minimizar os problemas do trânsito e essa seria uma alternativa a se pensar e muito seriamente. Talvez a solução não fosse da forma como foi colocado na Resolução revogada e sim, dar autonomia de verdade ao Instrutor para dizer que aquele determinado aluno ainda não está preparado para sair no trânsito. São muitos “talvez”! Enquanto isso, estamos nós, colocando novos condutores no trânsito sem condições de estar lá.

E o que dizer dos condutores ditos experientes, causando acidentes tanto ou mais que os recém habilitados. muitos deles se vangloriam de nunca ter sido autuados. Pergunto: não foram autuados porque não cometeram infrações ou porque tiveram a “sorte” de nunca ser pegos?

Assim segue nosso caótico trânsito.

Temos muito trabalho pela frente!

O resultado dessa experiência para mim foi excelente. Aprendi muito.

* Eliane Pietsak é pedagoga, especialista em trânsito, e atualmente é colaboradora da Tecnodata Educacional.