Publicado em 08 de março, 2018 as 08h24.

A presença especial das mulheres no trânsito

Por Celso Mariano.

Com a colaboração de Mariana Czerwonka

Mulheres no trânsito
Adriane Toledo é instrutora teórico/pratico no CFC Via rápida em Guarapuava, no Paraná. Foto: Arquivo Pessoal.

Dizer que cada vez mais as mulheres ocupam cargos importantes e atuam de forma efetiva em nossa sociedade, nos mais diversos contextos, já é chover no molhado. Bom sinal! Historicamente, as poucas mulheres que conquistaram espaço em áreas importantes, deram mostra do quanto podem ser efetivas em suas ações e deixar marcado para sempre suas presenças, vide Cleópatra, Joana D’Arc, Marie Curie, Anita Garibaldi, Frida Kallo, Carmen Miranda, Tarsila do Amaral, Golda Meir, Margaret Thatcher, Madre Teresa de Calcutá, Maria da Penha e tantas outras.

No âmbito do trânsito, particularmente, cada vez mais as temos visto atuando em funções outrora tipicamente masculinas, como agentes de trânsito, operadoras administrativas e técnicas de órgãos de trânsito, coordenadoras e até mesmo no cargo de Autoridade de Trânsito. São engenheiras, pedagogas, administradoras, psicólogas socorristas, enfermeiras, médicas, advogadas e juízas, para citar algumas graduações, que têm tido nas mãos a oportunidade e a responsabilidade de determinar e executar  as regras e normas do trânsito e de seus inúmeros desafios.

Quando elas têm oportunidade de ensinar sobre trânsito, planejar e executar programas educativos, ou ainda comandar um órgão de trânsito, claramente as ações são pautadas por diretrizes que incluem fortemente a educação a segurança.

O que poucos sabem é que essa não é uma tarefa nada fácil apesar de os tempos serem outros. Para Maria Cristina Alcantara Andrade, que já foi coordenadora do Denatran e atualmente é gestora da Fumtran de Balneário Camboriú, existe ainda muito preconceito masculino. “Isso nos leva muitas vezes a exercer a função com mão de ferro. Em algumas situações, precisei me impor com o conhecimento, pois assumi cargos técnicos, sem indicação política”, afirma.

Essa presença feminina marcante imprime uma caraterística mais humanizada na mobilidade. Elas simplesmente não conseguem pensar no trânsito sem levar em conta a necessidade de mais educação, mais gentileza, mais colaboração, mais calma, mais respeito, e por aí vai. A sociedade é muito grata – ou deveria ser – por esse legado positivo que só elas poderiam deixar para nossa tão sofrida e violenta mobilidade.

“Vencer num universo masculino, nos faz desenvolver estratégias junto aos superiores e a equipe para conseguir apresentar novidades que tragam melhorias pra população. Precisamos sempre usar da delicadeza e educação para resolver os problemas. Ainda percebo que, mesmo assim, algumas pessoas, colocam em xeque as ações e o conhecimento”, conta Maria Cristina.

Como driblar as situações constrangedoras? Para a especialista, o fato de ter oito anos de experiência em sala de aula, mais 24 anos em educação de trânsito foram fundamentais. “Isso me permitiu deter conhecimentos para exercer cargos de gestão”, afirma.

Nas autoescolas

Nas autoescolas, no Curso de Primeira Habilitação, há uma oportunidade única de influenciar a vida de pessoas que ali estão para um momento especial, a formação do futuro condutor. E são inúmeras as manifestações de alunos agradecidos aos seus bons instrutores. “Neste quesito, dá pra perceber o quanto as instrutoras conseguem marcar na memória e nos sentimentos de seus alunos, suas lições. São elas que mais recebem elogios, manifestações de carinho e que são lembradas por mais tempo”, afirma Celso Alves Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal.

É na nobre função de instrutoras de trânsito que muitas mulheres encontram sua motivação e realização profissional. Algumas preferem as aulas teóricas, que exige conhecimentos amplos, atualização constante, planejamento, metodologia e muita habilidade para lidar com um público sempre muito heterogêneo e movido pela ansiedade de logo pegar no volante. As instrutoras geralmente demonstram muita habilidade para lidar com este tipo de situação.

Outras encaram de frente o desafio de lidar com medos e inseguranças, mas também com excesso de coragem e confiança, dos alunos do curso prático, sempre tido como “a parte mais importante da primeira habilitação”.Justamente por esta crença infundada, quem ministra aulas práticas sofre uma sobrecarga de expectativas por parte dos alunos. “Em ambos universos verifica-se uma presença feminina significativa, em torno de 50%, sendo ligeiramente maior a proporção de mulheres como instrutoras práticas”, diz Silvia Maier, Coordenadora Pedagógica do Curso de Reciclagem de Infratores da Tecnodata Educacional e Diretora Geral do CFC Piloto, de Curitiba.

Para Adriane Toledo, que é instrutora (teórica e prática) no CFC Via rápida em Guarapuava, no Paraná, muitas vezes existem algumas piadas do sexo oposto como “mulher no volante perigo constante” e de “piadas de loiras”.

“É na pratica e pelo exemplo que nós mulheres estamos ganhando mais respeito. E eu escolho garantir igualdade de direitos buscando ensinar e agir da forma correta mostrando que as habilidades e técnicas são reciprocas para todos. Ser mulher, mãe, dona de casa e trabalhar fora me faz querer administrar com excelência cada função. A busca pela igualdade de valores nos faz ser livre para deixar de ser alvo de discriminação e preconceito”, explica.

Condutoras

Como condutoras de veículos, as pesquisas mostram o quanto elas são mais cuidadosas do que eles. Não que elas não provoquem ou se envolvam em acidentes. Mas pelo tipo de infração cometida, fica muito claro perceber que elas geram muito menos riscos no trânsito. Enquanto as meninas, no geral, tomam multas do tipo estacionamento irregular e manobras inadequadas, os meninos têm como típicas causas de infrações e multas o excesso de velocidade, furar o sinal vermelho, ultrapassagens forçadas, etc. É claro que eles se envolvem e provocam muito mais acidentes do que elas.

Parabéns a TODAS que fazem do trânsito brasileiro um espaço cada vez mais humanizado e seguro!