Publicado em 07 de março, 2017 as 08h22.

Detran/SP desvenda os mitos e verdades sobre o teste do bafômetro

Nenhuma substância, como vinagre e antisséptico bucal por exemplo, livra o motorista de resultado positivo no etilômetro

Por Mariana Czerwonka.

Não se submeter ao exame também é uma infração. Foto: Arquivo Tecnodata.
Não se submeter ao exame também é uma infração. Foto: Arquivo Tecnodata.

Tomar vinagre, usar antisséptico bucal ou comer chocolate. Se tornou uma espécie de lenda urbana entre os motoristas infratores que querem burlar o teste do bafômetro. Mas a verdade é que nenhum deles livra motorista de resultado positivo no etilômetro. Os itens ditos infalíveis da lista imensa, que ainda inclui antisséptico bucal e refrigerante, não funcionam.

“O bafômetro mede o álcool ingerido que passou para a circulação sanguínea e, posteriormente, é exalado dos pulmões para o ar. O vinagre não consegue interferir no etanol exalado para o ar, provindo dos pulmões do motorista”, explica a hepatologista Marta Deguti, do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho.

Na realidade, se o vinagre contiver álcool, isso pode até agravar o resultado positivo do teste.

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) esclarece que o aparelho é capaz de detectar a presença de álcool no organismo mesmo se a medição for realizada imediatamente após o motorista ter consumido alimentos como bombom com licor ou usado antisséptico bucal que contenha álcool na formulação.

Nesses casos, se a pessoa não tiver realmente ingerido bebida alcoólica e tiver receio do resultado por ter feito uso desse tipo de produto, a orientação é que o cidadão informe o fato à autoridade de trânsito no momento da abordagem. Dessa forma, o condutor pode pedir para fazer um novo exame, caso o primeiro dê positivo.

Outro “truque” que ganhou fama recente na internet é o Metadoxil (piridoxina ou vitamina B6), um medicamento que acelera a metabolização do álcool do fígado e é mais utilizado no tratamento de alcoolismo e alterações hepáticas. “Mas ele não interfere na concentração do álcool que está no sangue ou que é exalado e medido no bafômetro”, rebate a médica.

Infração 

Não se submeter ao exame também é uma infração. Assim como quem tem a embriaguez atestada no exame, quem se recusa a soprar o aparelho também é multado em R$ 2.934,70 e notificado a responder processo de suspensão do direito de dirigir pelo período de um ano. Quem for reincidente nesse tipo de infração em um período de 12 meses é multado em R$ 5.869,40 e responde a processo de cassação do direito de dirigir por dois anos.

No tópico:

  • Bruno Moraes

    Deveriam começar a divulgar melhor que os agentes da autoridade de trânsito ao realizar a fiscalização de trânsito precisam utilizar critérios de seleção para convidar os condutores que são abordados a realizarem o teste de alcoolemia, pois convidam indistintamente qualquer um que trafegue pela via, sem, contudo, utilizar a fundada suspeita como critério de seleção para fiscalizar o condutor, o que, no meu ponto de vista, é uma ação ilegal.

    • Adriano Moreira da Silva

      Fiscalização de trânsito não necessita de fundada suspeita , portanto não há ilegalidade na conduta dos agentes fiscalizadores , contudo o fiscalizado tem todo o direito de interpor recurso caso venha a ser autuado por qualquer motivo.

      • Bruno Moraes

        É fato, não se trata de condição sine qua non a fundada suspeita para fiscalizar qualquer condutor. O que tentei deixar claro nas minhas palavras foi que para qualquer ato administrativo exigi-se a motivação. O ato administrativo precisa ser motivado, pensando nisso e fazendo uma leitura muito básica da legislação pertinente ao tema, você verá que existe a necessidade de critérios mínimos para convidar um condutor abordado a realizar o teste de alcoolemia. Vale lembrar que as operações de fiscalização de trânsito representam ainda um custo para o poder público, sendo realizada de forma aleatória, sem critérios técnicos, abordando e convidando indistintamente os condutores, certamente não terá a eficiência esperada e suas falhas poderão representar riscos para a segurança viária. Pois enquanto se ocupa em fiscalizar, indistintamente e sem critérios, condutores transgressores circulam livremente pelas vias.

  • Bruno Moraes

    Outra observação que precisamos fazer é a de que a infração prevista no art. 165 do CTB se caracteriza pela constatação da alteração da capacidade psicomotora em razão da influência de álcool ou outra substância que determine dependência… Pois bem, ao analisar a lei, sob o aspecto da legalidade estrita, não basta apenas dirigir após a ingestão de bebida alcoólica para cometer dita infração, pois o dispositivo legal exige principalmente a alteração da capacidade psicomotora. Deveria, portanto, o agente da autoridade de trânsito ao realizar a fiscalização e constatar que o condutor ingeriu bebida alcoólica, analisar se estão presentes os sinais indicadores da alteração da capacidade psicomotora do condutor, o que não é feito. Mas estamos no Brasil, onde tudo pode pra ferrar o pobre!

    • Mariana Czerwonka

      Bruno

      O Art. 165 diz que é infração dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. Não se fala em capacidade alterada, basta ingerir álcool para a atitude ser considerada infração de trânsito. No entanto passa a ser crime de trânsito se a concentração de álcool for de 0,34 miligrama por litro de ar, 6 decigramas por litro de sangue ou fique constatado alteração na capacidade psicomotora do condutor.

      Obrigada pela participação!