Publicado em 03 de janeiro, 2017 as 08h12.

Curso à distância para primeira habilitação pode mudar a formação de condutores no Brasil

Por Mariana Czerwonka.

Comissão de Viação e Transportes da Câmara aprovou um Projeto de Lei (1128/15) que permite que o curso teórico destinado à formação de condutores de veículos seja ministrado à distância. Não há dúvidas de que os cursos na modalidade EAD são ótimos para quando o objetivo é a aquisição de conhecimento e muito utilizados, inclusive em universidades. A pergunta é se esses cursos servem para a educação de trânsito?

Pesquisa realizada pelo Portal do Trânsito no ano passado mostrou que a maioria dos entrevistados não acredita que o curso à distância seja bom para a primeira habilitação. Para 85% das pessoas que responderam o questionamento, o curso deve continuar obrigatoriamente presencial. A justificativa é que o instrutor realiza um trabalho de conscientização que não pode e não tem como ser substituído. Outro problema levantado pelos entrevistados é a possibilidade de fraude.

Segundo a relatora do PL, deputada Magda Mofatto (PR-GO), o ensino a distância tornou-se bastante comum no País, sendo utilizado inclusive como ferramenta de cursos de nível superior. “Os cursos à distância representam uma facilidade para os alunos, uma vez que não os obriga a se deslocarem de casa ou do trabalho para assistirem às aulas”, sustentou.

Para o especialista em trânsito Celso Alves Mariano, o papel do instrutor é fundamental nesse processo.

“O instrutor bem preparado sabe perceber e ajustar sua abordagem conforme o nível de dificuldade de cada um de seus alunos e ainda aproveitar a diversidade das características individuais para beneficiar a todos. Isso é fácil quando se tem uma turma que se encontra todos os dias e muito difícil quando os alunos estudam isoladamente, e não se conhecem pessoalmente”.

Para o especialista, outro fator preocupante é que os brasileiros têm pouco hábito de estudarem sozinhos, o que fica evidenciado pelos índices de abandono nos cursos à distância, em geral 25% maiores do que os presenciais. “O trânsito é um ambiente social, por excelência. Seria um desperdício estudar sobre este assunto sozinho. Não combina”, finaliza Mariano.

O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

Nós do Trânsito

Na 14º edição do programa “Nós do Trânsito” o Doutor em História Rodrigo Santos e o Especialista em Trânsito Celso Mariano analisam e discutem sobre esse tema.  “No curso de Primeira Habilitação, a aula presencial é extremamente relevante e adequada. O convívio com um instrutor experiente e com os colegas de turma é muito importante na formação do novo condutor”, conclui Mariano.